Defesa argumentou que Ana Paula é ré primária e que a prisão preventiva era desnecessária, levando à sua soltura

Redação Publicado em 12/02/2026, às 08h12
A Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória a Ana Paula Pereira, de 46 anos, presa em flagrante na última segunda-feira (9), após matar o companheiro, Gabriel Alves Holanda, de 26 anos, com um tiro no rosto. O crime ocorreu em Peruíbe, no litoral sul paulista, e chocou a comunidade pela dinâmica violenta que envolveu ameaças a familiares, a um jovem autista e uma briga motivada por animais de estimação.
A decisão de soltar a acusada ocorreu durante a audiência de custódia. A defesa alegou que Ana Paula, que possui registro de Caçadora, Atiradora e Colecionadora (CAC), agiu em legítima defesa diante de um comportamento agressivo e letal da vítima. O casal havia se mudado recentemente de Joinville (SC) para o litoral paulista e estava morando de favor na casa de uma tia de Gabriel.
O estopim da tragédia
Segundo o boletim de ocorrência, o conflito começou por causa dos animais da casa. O cachorro do casal teria se estranhado com o pitbull da tia de Gabriel. O incidente desencadeou um surto de fúria no jovem, que passou a fazer ameaças de morte contra o animal da tia e contra os próprios familiares que estavam na residência, incluindo o filho da proprietária do imóvel, um rapaz de 23 anos com autismo.
A situação saiu de controle quando as ameaças se voltaram contra Ana Paula, o filho dela (de um relacionamento anterior) e o pai da criança. A mulher relatou à polícia que, temendo por sua vida, pegou sua arma de fogo legalizada para se proteger, enquanto Gabriel teria se armado com facas.
A dinâmica do disparo
No depoimento, Ana Paula detalhou os momentos de terror. Ela afirmou que tentou se refugiar no quintal da casa, onde também estava o pitbull, mas continuou sendo perseguida. Gabriel teria arremessado uma faca em sua direção e, em um momento de extremo risco, conseguido puxá-la pelas roupas através de uma janela, tentando agredi-la. Foi nesse instante, alegando não ter outra alternativa para cessar a agressão, que ela efetuou o disparo que atingiu o rosto do companheiro.
Mesmo ferido gravemente, Gabriel correu até uma base móvel da Polícia Militar na Rua da Estação para pedir socorro, mas não resistiu aos ferimentos e teve o óbito constatado pelo SAMU. A polícia apreendeu no local a pistola usada no crime, munições e duas facas.
Liberdade provisória
Os advogados de defesa, Thais Tiemi Tokuda e Marcelo Luiz de Carvalho Kono, sustentaram que a prisão preventiva era desnecessária. Eles argumentaram que Ana Paula é ré primária, tem residência fixa e que a análise do caso não poderia se basear apenas na gravidade abstrata do homicídio, mas sim no contexto de defesa da própria vida. O Judiciário aceitou os argumentos, permitindo que ela responda ao processo em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares.
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