Provas como mensagens de WhatsApp e depoimentos de testemunhas foram cruciais para a decisão do tribunal paulista

Redação Publicado em 20/07/2026, às 08h45
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou o recurso da defesa e manteve, de forma unânime, a decisão de levar a júri popular o motorista João Pedro Donatone. Ele é o acusado de provocar o violento acidente de trânsito que tirou a vida do motociclista Caetano Ribeiro Aurungo, após furar o sinal vermelho em um cruzamento de Santos. A decisão do tribunal ratifica a sentença dada em setembro de 2025 pelo juiz Bruno Nascimento Troccoli. Atualmente, o réu cumpre medidas cautelares e aguarda o julgamento dos jurados em liberdade.
A corte paulista entendeu que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja enquadrado como homicídio doloso simples, sob a modalidade de dolo eventual — quando o condutor assume o risco de matar por suas atitudes ao volante.
TJ rejeita tese de nulidade por falta de exame de urina
A banca de advogados que representa João Pedro tentou desqualificar a acusação de dolo para homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) e sustentou que o motorista não estava alcoolizado. A principal tese da defesa era a anulação das provas do processo, alegando que uma amostra de urina colhida do réu acabou descartada pelas autoridades antes que eles pudessem solicitar uma contraprova pericial.
Contudo, o relator do caso no TJ-SP, desembargador Roberto Solimene, rejeitou prontamente o argumento defensivo. O magistrado baseou a sua decisão no depoimento técnico da própria perita criminal do caso, que esclareceu que o material orgânico não foi preservado porque a urina sofre alterações químicas rápidas, o que tornaria qualquer contraprova tardia completamente inválida e ineficaz.
Mensagens no celular e relatos de deboche pesaram na decisão
O desembargador também fez questão de frisar em seu voto que a falta de um laudo laboratorial clássico não anula a acusação de embriaguez, uma vez que o estado do motorista pode ser perfeitamente comprovado por meio de "vídeos ou prova testemunhal". A Justiça destacou duas provas contundentes que constam nos autos:
Mensagens de WhatsApp: Conversas extraídas com autorização judicial do celular de João Pedro mostraram um amigo oferecendo água para ajudar o "álcool cair" logo após o atropelamento;
Frieza no local: O depoimento dos policiais militares que atenderam a ocorrência apontou que o motorista demonstrava um comportamento "meio debochado" diante da gravidade da situação.
O ponto mais sensível do processo envolve falas atribuídas ao réu logo após a colisão. Duas testemunhas oculares afirmaram em juízo que João Pedro demonstrou total "frieza e indiferença com o resultado fatal", chegando a proferir frases chocantes como "foi só mais uma vítima" e "foi só uma vida".
Em sua defesa, o réu negou veementemente ter desdenhado da situação. Ele alegou aos magistrados que estava em profundo estado de choque e que a frase real dita por ele aos presentes foi: "Sim, eu vi o que eu fiz. Eu tirei uma vida".
Decisão final fica nas mãos dos jurados santistas
Para os desembargadores do Tribunal de Justiça, a divergência entre o que diz a defesa e o que apontam as testemunhas e as provas coletadas pela polícia não deve ser resolvida por um colegiado de juízes. O acórdão reforça que o exame minucioso e definitivo da conduta do réu — se ele agiu com dolo eventual ou culpa consciente — é uma atribuição constitucional exclusiva do Conselho de Sentença da Comarca de Santos.
Dessa forma, caberá aos cidadãos santistas que vão compor o júri popular dar o veredito final sobre a culpa e a condenação de João Pedro Donatone. A data do julgamento ainda será agendada pela Vara do Júri de Santos.
Leia também

Com gestão arrojada e estratégica, João Araújo põe Buritirama no topo do ranking da mineração

PAT de Guarujá e Praia Grande oferecem 335 vagas

Deixemos para amanhã o que não deveríamos dizer hoje

Motorista embriagado atropela ciclista, que morre após carro pegar fogo em Praia Grande

Minha Casa Minha Vida salva balanço da Direcional Engenharia com dívida líquida de R$ 496 milhões

Três PMs irão a júri por tiros contra motoboy durante Operação Escudo em Santos

Santos entra na rota do Remo de Praia olímpico com etapa nacional na Praia do Gonzaga

Motorista embriagado atropela ciclista, que morre após carro pegar fogo em Praia Grande

Homem morre após ser agredido e bater a cabeça durante briga em Itanhaém

Doceria de Santos cresce, reforma o espaço e amplia cardápio após Neymar virar cliente frequente