Fraude com interface copiada de site legítimo lesou investidores na região

Redação Publicado em 18/06/2026, às 09h57
Uma operação da Polícia Civil desarticulou uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas que utilizava falsos investimentos em criptomoedas para lesar vítimas na Baixada Santista. A ação, deflagrada na última segunda-feira (15), foi coordenada por agentes da 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), unidade vinculada à Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos.
Os policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão de forma simultânea em endereços localizados nos municípios de Santos e Praia Grande. Durante as diligências nos imóveis, dois homens, de 25 e 29 anos, foram presos em flagrante sob a acusação de integrarem organização criminosa.
Plataforma espelho e manipulação de resultados
O setor de inteligência da Deic apurou que o grupo desenvolveu e operava uma plataforma digital clandestina que simulava transações com ativos digitais. Para atrair e ludibriar os investidores, os suspeitos criaram uma estrutura virtual sofisticada que utilizava uma cópia idêntica da interface de um site legítimo e renomado de investimentos de mercado.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos manipulavam manualmente os gráficos e os resultados financeiros exibidos nas telas dos usuários. Essa estratégia simulava falsas oscilações de lucros e perdas, induzindo as vítimas a acreditarem no sucesso das operações e a realizarem aportes financeiros ainda maiores. As análises técnicas confirmaram que os dados apresentados na plataforma não possuíam qualquer conexão com o mercado financeiro real; os números eram gerados localmente e controlados de forma arbitrária pelos próprios investigados.
Apreensões de alta tecnologia e foragido
Durante as buscas nos imóveis, os agentes da Dise, com o suporte de peritos da Polícia Técnico-Científica, apreenderam um vasto material tecnológico de ponta, incluindo computadores, notebooks, smartphones, dispositivos de armazenamento digital, documentos contábeis e carteiras virtuais de criptomoedas (hardwallets). Também foram recolhidos montantes em dinheiro em espécie e bens de luxo de alto valor econômico, que passarão por investigação de origem.
No local, os peritos identificaram indícios de que os detidos controlavam diretamente os logs do sistema e a liberação de supostos saques das vítimas. Mensagens criptografadas e registros de comunicação encontrados nos aparelhos corroboraram a hipótese de uma rede interestadual estruturada para estelionato digital.
Um terceiro investigado, apontado como uma das lideranças intelectuais do esquema, não foi localizado nos endereços e é considerado foragido. Contra ele já havia um mandado de prisão temporária expedido pelo Poder Judiciário. A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para capturar o envolvido, mapear a extensão do prejuízo financeiro global e identificar outras vítimas da fraude na região.
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