Com mandados cumpridos em Santos e Guarujá, a ação resultou na prisão de nove suspeitos e no bloqueio de bens de até R$ 1 bilhão

Redação Publicado em 24/07/2026, às 09h28
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23), a Operação Commodity, uma grande ofensiva voltada para desarticular uma organização criminosa transnacional especializada no tráfico internacional de drogas e em esquemas bilionários de lavagem de dinheiro. A Baixada Santista figurou entre os principais alvos da ação, que cumpriu mandados judiciais nos municípios de Santos e Guarujá. Ao todo, nove suspeitos foram presos durante a operação, realizada no âmbito da Missão Redentor II em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e a Polícia Militar.
A ação mobilizou equipes para o cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva e 44 de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. As diligências ocorreram de forma simultânea nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo. Além dos mandados de prisão, o Poder Judiciário determinou o bloqueio de bens, contas bancárias e ativos de pessoas físicas e jurídicas investigadas até o limite de R$ 1 bilhão, visando asfixiar financeiramente o grupo.
Confronto, logística marítima e camuflagem de entorpecentes
Durante o cumprimento de um dos mandados de prisão na cidade de Igaratá, no Vale do Paraíba, um investigado com suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) reagiu à abordagem e disparou contra a equipe policial. Houve troca de tiros e o suspeito foi atingido, falecendo no local. Nenhum agente de segurança ficou ferido. De acordo com os levantamentos da Polícia Federal, a organização criminosa mantinha ramificações na América do Sul, Europa e Ásia, operando em conexão direta com as duas maiores facções do país (PCC e Comando Vermelho) para enviar toneladas de cocaína ao exterior a partir de complexos portuários.
Desde 2021, estima-se que o grupo tenha exportado cerca de 6,5 toneladas de cocaína para o continente europeu. Para burlar a fiscalização alfandegária nos portos, a droga era camuflada em cargas de café, cimento e argamassa, ou alterada quimicamente, como em casos de diluição em garrafas de refrigerante.
A lavagem de capitais era realizada por meio de uma complexa rede de empresas de fachada, emissão de notas fiscais falsas, atuação de cripto-doleiros e aquisição de imóveis de luxo. Os investigados responderão por tráfico internacional, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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