Candidatos devem estar cientes de que rumores e escândalos pessoais podem surgir, afetando suas campanhas e reputações
Reinaldo Polito Publicado em 27/02/2026, às 13h55
Em período eleitoral, surgem acusações que parecem brotar do nada. Amantes, escândalos íntimos e histórias pessoais passam a ocupar o centro do debate público, muitas vezes com mais intensidade do que as próprias propostas de governo. O que antes permanecia restrito à esfera privada passa a ser explorado como arma política.
A conversa inicial com os candidatos novatos na política geralmente é, digamos, teatral. Considero essa a primeira e uma das mais importantes lições para esses iniciantes na corrida eleitoral. Antes mesmo de orientá-los sobre discursos ou postura em palanque, pergunto se já avisaram a esposa, o marido ou a pessoa com quem se relacionam de que os concorrentes poderão divulgar que possuem casos “extraoficiais”.
Golpes abaixo da linha da cintura
Entre surpresos e constrangidos, costumam dizer que sim. Mas alguns, pela hesitação na voz, demonstram que ainda não tiveram esse diálogo com seus parceiros. Por isso, mesmo diante da resposta afirmativa, insisto para que não esqueçam de esclarecer que, nesse jogo político, os competidores frequentemente recorrem a golpes abaixo da linha da cintura.
Muitos aparecem acompanhados de esposas ou maridos. Nesses casos, pergunto diretamente aos acompanhantes se já estão cientes de que esse tipo de comentário poderá surgir durante a campanha e que devem estar preparados para receber essas insinuações com naturalidade, como quem já espera esse tipo de ataque.
Desqualificar o adversário
Embora essas “maldades” possam ocorrer em todos os níveis, são mais comuns entre aqueles que pleiteiam cargos majoritários. Trata-se de um dos expedientes utilizados para desqualificar o candidato, sugerindo que ele não teria estatura moral para ocupar a posição que deseja. E pouco importa se os supostos deslizes tenham ou não ocorrido, se são atuais ou se pertencem a um passado distante.
Sabendo que essas acusações podem aparecer, um dos primeiros cuidados deve ser, portanto, avisar os familiares, para que não passem pelo constrangimento de boatos que, em muitos casos, os surpreendem como se fossem verídicos.
Acusações contra Trump
Há situações em que os fatos efetivamente ocorreram. Nesses casos, o candidato deve estar preparado com explicações que possam amenizar os prejuízos eleitorais. O político jamais deve entrar em uma campanha imaginando que eventuais desvios de conduta permanecerão ocultos. Precisa saber que certos comportamentos, aceitos até com relativa naturalidade em outros contextos, ganham dimensões muito mais significativas em período eleitoral.
Donald Trump, por exemplo, foi considerado responsável, em decisão civil, por abuso sexual e difamação contra a jornalista E. Jean Carroll. Ela afirmou ter sido vítima de agressão sexual e posteriormente difamada ao tornar público o episódio. O republicano sempre negou as acusações e alegou motivação política e comercial por parte da denunciante.
Muitos líderes envolvidos em escândalos
Independentemente de culpa ou inocência, o fato é que acusações dessa natureza passam a ser constantemente exploradas por adversários em disputas eleitorais. Entra eleição, sai eleição, e episódios do passado voltam ao debate público na tentativa de desgastar a imagem do candidato perante o eleitorado.
Outro escândalo histórico foi o de Bill Clinton com a estagiária Monica Lewinsky. O então presidente foi alvo de processo de impeachment após o caso vir à tona, demonstrando como questões de ordem pessoal podem assumir proporções políticas relevantes. Casos semelhantes envolveram figuras como John Kennedy, Arnold Schwarzenegger e François Hollande, entre outros.
No Brasil também
No Brasil, os episódios também são numerosos. Entre os mais comentados ao longo da história política, citam-se os rumores sobre a vida pessoal de Juscelino Kubitschek e o relacionamento extraconjugal de Fernando Henrique Cardoso com a jornalista Mirian Dutra, amplamente explorado no debate público anos depois.
Por isso, à medida que as eleições se aproximam, as acusações entre candidatos tendem a se intensificar. Em alguns casos, porque os fatos existiram. Em outros, porque adversários veem na reputação pessoal um ponto vulnerável a ser explorado.
Verdadeiros ou fantasiosos, esses relatos passam a circular com rapidez, revelando que, na arena eleitoral, a disputa raramente se limita às ideias e frequentemente avança para o terreno da vida privada. Siga pelo Instagram: @polito