Futebol Internacional

Em comunicado oficial, Uefa diz que abriu análise sobre caso de racismo contra Vini Jr.

Após o jogo, Vini criticou a arbitragem e o protocolo antirracismo; Mbappe saiu em defesa do jogador

A Uefa analisa relatórios sobre ofensas racistas durante o jogo entre Benfica e Real Madrid - Foto: Patricia de Melo Moreira / AFP

Gabriella Souza Publicado em 18/02/2026, às 11h25

A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) se manifestou oficialmente sobre o grave incidente ocorrido no Estádio da Luz, em Lisboa. A entidade máxima do futebol europeu confirmou que está analisando os relatórios da partida entre Benfica e Real Madrid, válida pelos playoffs da Champions League, onde o atacante brasileiro Vinicius Júnior denunciou ter sido alvo de ofensas racistas por parte do argentino Gianluca Prestianni.

O episódio transformou o clima de uma partida decisiva em um cenário de tensão e revolta. Tudo aconteceu aos cinco minutos do segundo tempo, logo após Vini Jr. marcar o gol que garantiria a vitória merengue. Durante a comemoração, o camisa 7 se dirigiu ao árbitro para relatar insultos que teriam sido proferidos pelo adversário.

O juiz interrompeu o jogo imediatamente para o cumprimento do "Protocolo Antirracismo", paralisando a partida por cerca de oito minutos. Durante esse intervalo, houve empurra-empurra, discussões acaloradas entre os elencos e a intervenção do técnico do Benfica, José Mourinho, que tentou acalmar os ânimos contendo o brasileiro.

"Racistas são covardes"

Após o apito final, Vini Jr. usou suas redes sociais para um desabafo contundente. O jogador criticou a postura da arbitragem, que lhe aplicou um cartão amarelo por comemorar o gol, e classificou a aplicação do protocolo como ineficiente. "Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas eles têm, ao lado, proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir", escreveu o craque, referindo-se ao gesto que Prestianni teria feito para esconder a leitura labial do insulto.

Vini lamentou que o foco, que deveria ser a grande vitória do Real Madrid fora de casa, tenha se voltado novamente para o preconceito racial. "Do outro lado, apenas um protocolo mal executado e que de nada serviu. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida", completou.

Depois do jogo

Enquanto a Uefa promete rigor caso as infrações sejam comprovadas nos relatórios, o acusado nega veementemente. Gianluca Prestianni afirmou, também via redes sociais, que houve uma má interpretação por parte do brasileiro. "Jamais fui racista e lamento as ameaças que recebi", defendeu-se o argentino. O Benfica, por sua vez, fechou cerco em torno de seu atleta, publicando uma mensagem de solidariedade com a frase "Juntos, ao teu lado".

Mbappé saiu em defesa do jogador brasileiro e em uma entrevista forte, o camisa 10 do Real Madrid se recusou a pronunciar o nome do adversário, tratando-o com desprezo, e pediu punições severas. "O número 25 do Benfica, cujo nome não cito porque não merece, disse que Vini é um macaco cinco vezes. Cinco vezes". A atitude de Prestianni viola todos os princípios do esporte e deve ser tratada com rigor máximo pela Uefa. "Este jogador, para mim, não merece mais jogar a Champions League", sentenciou o craque francês.

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