Após abandono no GP da Austrália, equipe briga contra falhas críticas nos motores e escassez de peças para a próxima corrida
Gabriella Souza Publicado em 10/03/2026, às 11h13
O clima nos bastidores da Aston Martin não é dos melhores para o início desta nova era da Fórmula 1. Após um GP da Austrália desastroso, o bicampeão mundial Fernando Alonso demonstrou pessimismo quanto à capacidade da equipe de completar a próxima corrida, o GP da China, que acontece no próximo fim de semana. A preocupação surge após tanto ele quanto seu colega, Lance Stroll, abandonarem a prova em Melbourne devido a falhas críticas na unidade de potência fornecida pela Honda.
Os problemas técnicos ultrapassaram o limite do desempenho e chegaram à segurança física. O projetista e chefe da equipe, Adrian Newey, revelou que as fortes vibrações transmitidas pelo motor ao volante eram tão intensas que os pilotos corriam o risco de sofrer danos nos nervos se tentassem completar mais de 25 voltas consecutivas. Diante desse cenário, a equipe optou por retirar os carros da pista para preservar os componentes e evitar lesões nos atletas, transformando a corrida de abertura em um teste forçado de coleta de dados.
Crise de componentes e baterias
Além das vibrações, a parceria exclusiva com a Honda enfrenta uma escassez preocupante de peças. Newey contou que, das quatro baterias levadas para a Austrália, duas falharam antes mesmo da corrida, restando apenas as que estavam instaladas nos carros. Alonso ressaltou que a equipe chegará a Xangai com pouco estoque, o que limita as chances de um desempenho agressivo. A expectativa é que novas peças cheguem apenas para a quarta etapa, no Bahrein, o que coloca o GP da China em uma zona de alto risco técnico.
Enquanto Alonso adota um tom cauteloso, a Honda tenta manter a calma. O representante da marca japonesa, Shintaro Orihara, afirmou que os dados coletados em Melbourne mostram uma diminuição nas vibrações e que a fabricante está no caminho certo para garantir a confiabilidade necessária. Para a Honda, o foco na China será aumentar a quilometragem e otimizar a gestão de energia, tentando evitar um novo vexame antes da corrida em casa, no Japão, que acontece logo na sequência.
Calendário sob ameaça e tensões geopolíticas
A situação da Fórmula 1 em 2026 também é cercada de incertezas fora das pistas. Além dos desafios mecânicos da Aston Martin, o campeonato enfrenta o risco de cancelamento das etapas no Bahrein e na Arábia Saudita. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio, com ataques envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, coloca a logística e a segurança da categoria em alerta máximo.
Com o GP da China sendo realizado já na próxima semana, a Aston Martin terá poucos dias para tentar solucionar problemas estruturais profundos no AMR26. Para Alonso, terminar a prova seria um resultado "otimista", evidenciando que a nova parceria entre o time inglês e a fabricante japonesa ainda tem um longo e turbulento caminho de desenvolvimento pela frente antes de pensar em brigar por pontos ou pódios.