Decisão unânime em congresso no Canadá visa coibir insultos discriminatórios e dificultar a ocultação de ofensas verbais em campo

Gabriella Souza Publicado em 29/04/2026, às 10h28
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) deu um passo decisivo no combate aos insultos e atos discriminatórios dentro das quatro linhas. Em decisão tomada por unanimidade durante seu 76º congresso, realizado nesta terça-feira (28) no Canadá, a entidade aprovou uma nova regra que pune com cartão vermelho direto qualquer jogador que cobrir a boca para insultar ou discutir com adversários. A medida visa facilitar a leitura labial e a identificação de ofensas que, muitas vezes, acabam impunes pela falta de provas visuais.
Caso Prestianni
A rigidez da nova norma é uma resposta direta a episódios recentes de grande repercussão mundial, com destaque para o caso envolvendo o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, e o brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid. Durante um confronto pela Champions League, Prestianni foi flagrado cobrindo a boca com a camisa enquanto discutia com o atacante brasileiro.
Vinícius Júnior acusou o adversário de racismo. No entanto, o Comitê de Ética da Uefa suspendeu o argentino por seis partidas sob a acusação de "homofobia", após Prestianni alegar que utilizou o termo "maricón" (marica, em espanhol) em vez de ofensas racistas. A dificuldade em comprovar a fala exata devido ao gesto de ocultar a boca acelerou o processo de mudança nas diretrizes da Internacional Board (IFAB).
Aplicação imediata e punição por WO
A nova regra já tem data para estrear nos gramados: passará a valer oficialmente na Copa do Mundo de 2026, em junho. De acordo com o novo texto regulamentar, a tentativa de encobrir o que está sendo dito ao confrontar um oponente será interpretada como evidência de conduta antidesportiva grave, passível de exclusão imediata do jogo.
Além desta mudança, a Fifa também ratificou uma postura mais dura contra o abandono de partidas. Equipes que deixarem o campo em protesto contra decisões da arbitragem serão punidas automaticamente com a derrota por WO. A decisão ecoa um incidente recente na Copa Africana de Nações envolvendo as seleções de Marrocos e do Congo, caso que atualmente está sob análise da Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Impacto no comportamento dos atletas
A medida é vista por sindicatos de jogadores e entidades de direitos humanos como uma vitória contra a discriminação. Ao proibir a "cortina de fumaça" feita com as mãos ou com a camisa, a Fifa espera que o ambiente de jogo se torne mais transparente e que os atletas pensem duas vezes antes de proferir insultos.
Para os árbitros, a nova diretriz oferece um respaldo legal para punir comportamentos que antes ficavam em uma "zona cinzenta" das regras. A expectativa é que, com o apoio das inúmeras câmeras de transmissão e dos sistemas de leitura labial, o futebol consiga finalmente reduzir os índices de injúria racial e homofobia que ainda mancham os grandes espetáculos do esporte.
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