Após atender os pilotos, as mudanças visam reduzir o "superclipping" e evitar grandes diferenças de velocidade entre os carros
Gabriella Souza Publicado em 22/04/2026, às 09h58
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou nesta segunda-feira (20) um pacote de mudanças urgentes no regulamento da Fórmula 1 para a temporada de 2026. As novas regras, que já passam a valer no GP de Miami, em 3 de maio, focam em quatro pilares: classificação, segurança em corrida, largadas e disputas sob chuva. A decisão é uma resposta direta às críticas de pilotos, como o tetracampeão Max Verstappen, e ao grave acidente sofrido por Oliver Bearman no Japão.
Fim do gerenciamento na Classificação
Uma das maiores reclamações dos pilotos era a necessidade de poupar bateria até em voltas rápidas. Para resolver isso, a FIA reduziu a quantidade máxima de recarga de 8 para 7 megajoules (MJ). Além disso, a potência máxima para carregar a bateria durante a aceleração (o chamado superclipping) subiu de 250 para 350kW.
Na prática, isso significa que o tempo de recarga será menor e os pilotos terão mais liberdade para acelerar sem se preocupar tanto com a energia disponível. Segundo a federação, o objetivo é devolver a essência da velocidade pura às sessões de sábado.
Segurança
O acidente de Oliver Bearman a 262 km/h em Suzuka fez com que a FIA também pensasse em outras alternativas na segurança dos pilotos. A diferença de velocidade entre um carro usando o botão de ultrapassagem e outro sem bateria era perigosa. Por isso, a FIA estabeleceu:
Tecnologia nas largadas e chuva
Para evitar carros parados na pista após a largada, como ocorreu com Liam Lawson na Austrália, a FIA desenvolveu um sistema que detecta acelerações anormalmente baixas. Se o carro falhar ao soltar a embreagem, o MGU-K será acionado automaticamente para garantir um arranque mínimo de segurança.
Nas corridas com chuva, o foco foi a aderência. A temperatura dos cobertores térmicos dos pneus intermediários foi aumentada para que os compostos cheguem à pista mais prontos para o uso. Além disso, o sistema de recuperação de energia será reduzido em condições de pista molhada para dar mais controle aos pilotos.
Motivo das mudanças
O regulamento de 2026, onde a parte elétrica responde por quase 50% da potência, foi classificado por muitos como "artificial". Com a dificuldade de carregar as baterias, as corridas estavam se tornando um exercício de paciência e gestão técnica. As novas medidas tentam equilibrar o aumento de ultrapassagens registrado este ano com a necessidade de manter o esporte seguro e competitivo, permitindo que os pilotos corram no limite sem as amarras excessivas da eletrônica.
Outro grande motivo foi o acidente no Grande Prêmio do Japão. O piloto Oliver Bearman, da Haas colidiu contra a barreira de proteção a 262 km/h. O impacto foi tão forte que o sensor do carro registrou uma desaceleração de 50G, ou seja, o corpo do piloto sentiu uma força 50 vezes maior que a da gravidade. Tudo aconteceu quando Bearman tentava desviar do carro de Franco Colapinto, e os dois estavam em uma diferença absurda de velocidade, com o inglês a 262 km/h e o argentino a 174 km/h.
O motivo dessa diferença de velocidade é o "super clipping". No regulamento de 2026, os carros dependem da recarga das baterias. Colapinto estava justamente nesse processo, o que faz o carro perder potência de repente e funcionar apenas com o motor a combustão.