Quase três anos após a descoberta do cadáver durante uma inspeção de segurança no Porto de Santos, a Polícia Federal acionou a Interpol para ampliar as buscas pela identidade da vítima, enquanto mantém o DNA preservado para eventual comparação com familiares
Redação Publicado em 03/08/2026, às 15h30
A Polícia Federal (PF) encaminhou à Interpol informações sobre o corpo encontrado dentro de um contêiner no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, em mais uma tentativa de identificar a vítima. O caso, registrado em setembro de 2023 e considerado um dos episódios mais incomuns já investigados no complexo portuário santista, permanece sem solução quanto à identidade do homem encontrado morto.
Segundo a corporação, todas as diligências possíveis em território brasileiro foram concluídas e o inquérito foi arquivado. Apesar disso, a investigação continua aberta no âmbito da cooperação internacional, com o envio das características físicas do cadáver por meio de uma Difusão Preta, mecanismo da Interpol utilizado para compartilhar informações sobre corpos não identificados e restos mortais entre os países integrantes da organização.
De acordo com a Polícia Federal, a principal possibilidade de identificação está no material genético coletado durante a perícia. O DNA permanece sob custódia da instituição e poderá ser comparado futuramente caso algum familiar da vítima seja localizado e forneça amostras para confronto genético.
As investigações apontaram que o homem era adulto, tinha aproximadamente 1,60 metro de altura, pele preta e cabelos curtos, pretos e crespos. Como não há registros de suas impressões digitais nos bancos de dados brasileiros, os exames papiloscópicos não permitiram estabelecer sua identidade.
A linha investigativa desenvolvida pela Polícia Federal indica que o homem, ou mesmo seu corpo já sem vida, entrou no contêiner durante a passagem da embarcação pela Costa do Marfim, na África Ocidental. Com base nesse cenário, os investigadores acreditam que a vítima possuía vínculo com aquele país, seja por nacionalidade ou residência.
Para aprofundar essa hipótese, a PF solicitou cooperação jurídica internacional às autoridades marfinenses. Até o momento, porém, não houve resposta ao pedido. A Embaixada da Costa do Marfim também não apresentou manifestação sobre o caso.
O contêiner fazia parte da carga de um navio que havia partido de Singapura e passou pelo Porto de Tanger, no Marrocos, onde a unidade foi embarcada em 1º de setembro de 2023. Posteriormente, a embarcação fez escala na Costa do Marfim antes de seguir para Santos. Segundo a investigação, o compartimento permaneceu lacrado durante esse percurso.
A presença do cadáver foi descoberta em 14 de setembro de 2023, quando um scanner de segurança utilizado na fiscalização de cargas detectou uma silhueta humana no interior do contêiner. Após a abertura da unidade, equipes constataram que o corpo estava em avançado estado de decomposição.
O exame necroscópico realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Praia Grande não conseguiu determinar a causa da morte nem identificar oficialmente a vítima. Conforme o laudo, também não foi possível esclarecer em que circunstâncias o homem entrou ou foi colocado no contêiner.
Segundo a Polícia Federal, todas as hipóteses relacionadas à dinâmica da ocorrência foram analisadas durante a investigação. Entretanto, sem a identificação da vítima e sem elementos produzidos no exterior, não foi possível esclarecer completamente o caso.
As autoridades destacam que, caso familiares procurem os órgãos responsáveis e apresentem material genético compatível para comparação, a identidade do homem poderá ser confirmada, permitindo o avanço das investigações sobre as circunstâncias da morte.