Ministério Público aponta que crime foi motivado por desentendimentos nas redes sociais e pede que a ré seja submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri
Redação Publicado em 27/06/2026, às 14h30
A Justiça de Praia Grande recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) contra Maria Eduarda Trindade, de 21 anos, acusada de tentar matar uma adolescente de 16 anos que estava grávida de nove meses. Com a decisão, a investigada tornou-se ré por tentativa de homicídio qualificado e poderá ser julgada pelo Tribunal do Júri.
O ataque ocorreu no dia 17 de junho, no bairro Guilhermina. Conforme a denúncia do MP, a acusada teria localizado a vítima após uma sequência de desentendimentos ocorridos pelas redes sociais. Segundo a investigação, ela foi até o endereço utilizando uma motocicleta por aplicativo, chamou a adolescente para conversar e, logo em seguida, iniciou a agressão com uma faca.
Ainda de acordo com o Ministério Público, a intenção da denunciada era atingir a barriga da adolescente, que estava no fim da gestação. No entanto, a vítima foi ferida na perna, recebeu auxílio imediato de uma amiga e foi encaminhada ao Hospital Municipal Irmã Dulce, onde passou por atendimento médico e posteriormente recebeu alta.
Na denúncia, o promotor de Justiça Pedro Henrique da Silva Rosa sustenta que o crime foi praticado por motivo considerado fútil, decorrente de ofensas trocadas entre as envolvidas nas redes sociais. O representante do Ministério Público também aponta as qualificadoras de recurso que dificultou a defesa da vítima e de o delito ter sido cometido contra uma mulher gestante.
Segundo o órgão, a tentativa de homicídio não foi consumada em razão da rápida intervenção de terceiros e do atendimento médico prestado à adolescente, fatores classificados como circunstâncias alheias à vontade da acusada.
A denúncia foi aceita pela Justiça na última quinta-feira (25), formalizando a abertura da ação penal. Até a publicação desta reportagem, a defesa da ré não havia se manifestado sobre a decisão judicial.
Investigação
As investigações apontam que a vítima não mantinha contato pessoal com a acusada, conhecendo-a apenas em razão de conflitos iniciados pelas redes sociais. Em depoimento à polícia, a adolescente afirmou que vinha recebendo ameaças e ofensas antes do ataque.
No dia da ocorrência, conforme relatou, a suspeita descobriu onde ela estava, marcou um encontro sob o pretexto de conversar e, ao se aproximar, desferiu o golpe de faca. A vítima também informou que a mulher carregava uma tesoura durante a ação.
Após ser atingida, a adolescente caiu ao chão e foi socorrida por pessoas que estavam nas proximidades. Equipes da Polícia Militar encontraram a jovem ferida e acionaram o resgate.
Enquanto a vítima era levada ao hospital, policiais iniciaram buscas e localizaram Maria Eduarda no Terminal Rodoviário Tude Bastos. Ela foi conduzida à delegacia, onde acabou reconhecida pela adolescente.
Em depoimento, a investigada negou participação no crime e afirmou que havia permanecido durante a tarde na residência do namorado. No entanto, além do reconhecimento realizado pela vítima, os policiais encontraram com ela uma tesoura compatível com a descrição apresentada durante o registro da ocorrência.
A Polícia Civil apreendeu os objetos relacionados ao caso e solicitou perícia da Polícia Científica para auxiliar na produção das provas que integram o processo judicial.