Faca quebrou durante o ataque, permitindo que a vítima se defendesse; defesa alega transtorno bipolar
Redação Publicado em 30/04/2026, às 10h51
O caso da jovem Mariana dos Santos Muniz, de 20 anos, ganhou um novo desdobramento jurídico nesta semana. A Justiça de São Vicente aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público, tornando-a ré por tentativa de homicídio qualificado. Mariana está presa desde o dia 5 de abril, quando invadiu a residência de seu ex-namorado e atacou a atual companheira dele a facadas.
De acordo com o promotor Carlos Eduardo Viana Cavalcanti, o crime foi motivado por uma "verdadeira obsessão" e pelo inconformismo da ré com o fim do relacionamento com o engenheiro Alessandro Roberto da Cunha Fernandes, de 37 anos. O ataque ocorreu enquanto o casal dormia, o que, para a acusação, configurou o uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Ataque e as qualificadoras
O Ministério Público detalhou que a tentativa de homicídio só não se consumou por um fator acidental: a faca utilizada no crime quebrou, fazendo com que a lâmina se soltasse do cabo durante os golpes. Esse intervalo permitiu que a vítima, Letícia Reis Lima, de 28 anos, conseguisse afastar a agressora com os pés e sobrevivesse ao atentado.
A denúncia aponta duas qualificadoras principais:
Histórico de perseguição e stalking
O depoimento do engenheiro Alessandro revela um histórico alarmante de comportamento possessivo. Ele relatou ter conhecido Mariana em uma academia em 2024, mas o relacionamento terminou rapidamente devido à instabilidade da jovem. Após o término, ela teria iniciado uma rotina de perseguição (stalking), resultando em mais de 15 boletins de ocorrência e uma medida protetiva que foi ignorada no dia do crime.
Temendo pela vida, o engenheiro afirmou à polícia que pretende se mudar de cidade, uma vez que a segurança do casal foi severamente comprometida pela conduta da ré.
Incidente de Sanidade Mental
Um ponto crucial do processo será a avaliação psiquiátrica da ré. A defesa de Mariana apresentou laudos indicando que ela sofre de transtorno afetivo bipolar, com histórico de internações e uso de medicação controlada. Diante disso, o Ministério Público solicitou a instauração de um incidente de insanidade mental.
Esta perícia médica determinará se, no momento do crime, Mariana tinha plena consciência do caráter ilícito de seus atos. O resultado pode levar a três cenários:
Nesta quinta-feira (30), Mariana permanece presa preventivamente. O juiz Silvio Roberto Ewald Filho aguarda a manifestação da defesa sobre o exame de sanidade para dar prosseguimento ao cronograma de audiências.