Polícia

Operação desinstala câmeras usadas pelo crime para vigiar a polícia em Santos

Agentes de três distritos policiais localizaram quatro equipamentos instalados no Caminho São Sebastião

Perícia técnica analisará equipamentos apreendidos para identificar responsáveis e centrais de monitoramento - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 12/05/2026, às 09h22

Uma ação estratégica mobilizou equipes de inteligência da Polícia Civil na última sexta-feira (8), resultando no desmonte de uma rede de vigilância ilegal no bairro Rádio Clube, na Zona Noroeste de Santos. Em uma operação conjunta que reuniu agentes do 2º, 3º e 5º Distritos Policiais, foram localizadas e removidas quatro câmeras de monitoramento instaladas em pontos estratégicos do Caminho São Sebastião. Os equipamentos eram utilizados pelo crime organizado para monitorar a movimentação nas imediações e antecipar a chegada de viaturas policiais.

O desdobramento operacional foi coordenado pelo Setor de Investigação Operacional do 5º DP de Santos. O trabalho de campo teve origem em uma investigação iniciada na quarta-feira (6), quando o serviço de inteligência identificou indícios da existência de um sistema de "contra-vigilância" operado por facções criminosas que atuam na região. A prática de instalar câmeras em áreas de difícil acesso visa garantir maior segurança às atividades ilícitas e dificultar o trabalho ostensivo das forças de segurança.

Tecnologia a serviço do crime

A remoção dos aparelhos contou com suporte técnico especializado para garantir a preservação da integridade física dos policiais e a coleta segura das provas. As câmeras estavam posicionadas de forma a cobrir ângulos de entrada e saída do bairro, criando um cinturão de monitoramento que operava 24 horas por dia. Esse tipo de tecnologia, muitas vezes conectada a centrais clandestinas via sinal de rádio ou internet, é uma das principais ferramentas utilizadas para o controle territorial por parte de grupos criminosos na Baixada Santista.

A operação é vista como um golpe importante na logística de vigilância do crime no Rádio Clube. Ao retirar os "olhos" dos criminosos, a polícia aumenta a eficácia de futuras incursões e devolve a sensação de privacidade aos moradores da comunidade, que muitas vezes sentem-se vigiados pelo poder paralelo. O material apreendido passou por perícia técnica para que os investigadores possam acessar as imagens armazenadas e identificar o fluxo de dados dos equipamentos.

Próximos passos 

Neste momento, o foco da Polícia Civil está voltado para a identificação dos responsáveis pela instalação e financiamento desses aparatos. Os investigadores buscam descobrir quem eram os receptores das imagens e onde funcionava a central de monitoramento. Inquéritos foram instaurados para apurar a conexão dessas câmeras com outros delitos registrados na Zona Noroeste, como o tráfico de entorpecentes e roubos de carga.

A Secretaria de Segurança Pública reforça que o combate ao monitoramento ilegal é uma prioridade para garantir a segurança dos agentes em serviço. Operações semelhantes devem ser replicadas em outros bairros periféricos de Santos e cidades vizinhas como São Vicente e Cubatão, onde a geografia urbana favorece a instalação desse tipo de dispositivo. A colaboração da população, através de denúncias anônimas, continua sendo fundamental para localizar novas redes de vigilância clandestina.

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