Investigação revela fraude de uso de boletins de ocorrência falsos para obter indenizações indevidas de seguradoras e bancos
Redação Publicado em 21/07/2026, às 09h38
Uma megaoperação da Polícia Civil de São Paulo foi deflagrada nesta segunda-feira (20) para desmantelar uma organização criminosa especializada em aplicar fraudes contra instituições financeiras e empresas seguradoras. Coordenada pela Delegacia Sede de Guarujá, a Operação Miragem cumpre 34 mandados de busca e apreensão espalhados por São Paulo e outros cinco estados brasileiros.
As investigações apontam que a quadrilha usava a Delegacia Eletrônica para registrar falsos boletins de ocorrência de roubos e furtos, utilizando os documentos oficiais para exigir indenizações indevidas das seguradoras.
Ação simultânea em seis estados e quebra de sigilo bancário
As ordens judiciais expedidas pela Justiça abrangem uma ampla rede de endereços ligados aos investigados. No Estado de São Paulo, os mandados são executados na Capital, Taboão da Serra, Diadema, Itapecerica da Serra, Paulínia, São Roque e na Baixada Santista, no município de Praia Grande.
Simultaneamente, com o apoio das Polícias Civis locais, as diligências operacionais ocorrem nos estados de:
Além das buscas nos imóveis, a Justiça determinou o bloqueio judicial de ativos e a quebra dos sigilos bancário e financeiro de todos os alvos envolvidos no esquema. O objetivo principal da ofensiva é mapear a hierarquia da organização, estancar o fluxo financeiro ilegal, recuperar o capital subtraído das empresas e indiciar os líderes do grupo.
'Surto' de roubos em condomínio de luxo em Guarujá acendeu alerta
O esquema começou a ruir quando os investigadores da Delegacia Sede de Guarujá notaram uma anomalia estatística nos registros policiais da cidade: em um intervalo de apenas 40 dias, foram lavrados 33 boletins de ocorrência de roubo que supostamente teriam ocorrido no interior de um mesmo condomínio de alto padrão da cidade.
Ao cruzarem os dados com o setor de segurança privada do empreendimento residencial, os policiais constataram que nenhuma das ocorrências havia de fato acontecido na área.
Modus operandi: cooptação de vulneráveis e narrativas clonadas
A partir da suspeita inicial, a Polícia Civil aprofundou a análise técnica das ocorrências e descobriu a engrenagem do golpe:
Durante a análise dos 33 boletins de ocorrência, os peritos identificaram provas robustas da fraude, como depoimentos e narrativas padronizadas (copiadas umas das outras), repetição de números de telefone de contato nos registros, comprovação de que as supostas vítimas sequer estiveram nos locais citados e a confirmação de diversos pagamentos efetuados pelas seguradoras enganadas.
A Operação Miragem segue em andamento para a consolidação das apreensões e análise dos materiais recolhidos.