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Polícia Ambiental fecha fábrica clandestina de palmito em Sete Barras

Local funcionava em condições insalubres e utilizava rótulos falsos para simular legalidade

A operação da Polícia Ambiental em Sete Barras desmantelou uma central clandestina de palmito, revelando graves crimes ambientais - Foto: Reprodução

Redação Publicado em 26/03/2026, às 09h48

Uma operação da Polícia Ambiental desarticulou uma central de processamento clandestino de palmito no bairro Monjolo, em Sete Barras, na última terça-feira (24). A ação, motivada por denúncias anônimas durante um patrulhamento rural, revelou um cenário de crimes ambientais e graves riscos à saúde pública no coração do Vale do Ribeira. No local, os agentes encontraram uma estrutura em pleno funcionamento que operava sem qualquer licença ou higiene.

Ao notar a chegada das viaturas, um homem que estava na propriedade, que não possuía cercas, fugiu para a mata fechada e não foi capturado. No entanto, o rastro do crime ficou para trás: os policiais apreenderam 117 hastes de palmito juçara (espécie protegida e nativa da Mata Atlântica), 110 kg de pupunha in natura e 66 kg de palmito já processado em vidros, prontos para a comercialização.

Condições insalubres 

O que mais chamou a atenção das autoridades foi o total desrespeito às normas sanitárias. O palmito era preparado em um ambiente improvisado ao lado de um banheiro, cercado por resíduos em decomposição e moscas. Para enganar o consumidor, os responsáveis utilizavam rótulos de uma empresa regularizada da região, tentando dar uma aparência de produto fiscalizado a um item produzido em condições sub-humanas.

Além do crime contra as relações de consumo e a fauna, a equipe localizou 11 cartuchos de munição calibre .36 escondidos no imóvel. Todo o maquinário industrial, incluindo picadores, caldeirões e botijões de gás, foi confiscado e levado para a delegacia.

Multas pesadas e punição O proprietário do imóvel já foi devidamente identificado e deve responder por um "combo" de crimes: posse irregular de munição, crime contra as relações de consumo e depósito de produto florestal sem licença. As multas aplicadas pela Polícia Ambiental somam mais de R$ 84 mil, valor elevado pelo fato de a fábrica estar instalada na zona de amortecimento do Parque Estadual Carlos Botelho, uma área de preservação permanente.

A Vigilância Sanitária foi acionada para inutilizar os produtos apreendidos, que representavam um risco real de botulismo e outras infecções para quem os consumisse. O caso agora segue sob investigação da Polícia Civil de Sete Barras para identificar se havia uma rede de distribuição desses produtos em mercados da Baixada Santista e do Vale do Ribeira.

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