Laudo veterinário confirma galos com ferimentos graves e sem acesso a água e alimentação adequada
Redação Publicado em 02/04/2026, às 09h45
Uma força-tarefa da Polícia Militar Ambiental resultou no resgate de 53 galos mantidos em condições extremas de maus-tratos entre a última terça-feira (31) e a madrugada desta quarta-feira (1º).
As ações ocorreram de forma sequencial em Santos e Guarujá, após denúncias anônimas revelarem a existência de arenas clandestinas destinadas a rinhas. Apesar do flagrante das estruturas, ninguém foi preso durante as incursões.
A primeira fiscalização aconteceu em Santos, onde os agentes localizaram 24 aves com ferimentos graves e sinais recentes de combate. A gravidade da situação na cidade motivou novas pistas que levaram a equipe até a Avenida Itacira, no Guarujá. Lá, outros 29 galos foram encontrados em estado crítico, confinados em ambientes sem higiene, expostos às intempéries e sem acesso a água potável ou alimentação adequada.
Laudo técnico
O cenário de crueldade foi confirmado por um laudo detalhado elaborado por uma médica-veterinária. Segundo o documento, os animais apresentavam atrofia muscular e falhas severas na plumagem. Além das condições de moradia precárias, foram encontrados indícios típicos de preparação para luta, como a retirada de esporões naturais e a presença de esporões artificiais, além de cercados adaptados para os confrontos.
No local, a polícia também apreendeu um arsenal de medicamentos de uso restrito, incluindo anabolizantes, antibióticos, corticoides e analgésicos. Parte dos insumos estava com o prazo de validade vencido, o que, conforme a avaliação técnica, potencializava o risco de intoxicação e morte das aves. A perícia concluiu que os animais sofriam privação de necessidades básicas e eram submetidos a práticas sistemáticas de crueldade.
Consequências legais
A ocorrência foi registrada como crime ambiental e os responsáveis pelas áreas onde as aves foram encontradas devem responder judicialmente por maus-tratos e pela promoção de rinhas, prática proibida pela legislação brasileira. As multas administrativas aplicadas pela Polícia Ambiental podem atingir valores significativos, dependendo da gravidade e da reincidência dos envolvidos.
Todos os 53 galos resgatados foram retirados dos cativeiros e serão encaminhados para centros especializados em acolhimento e reabilitação de fauna. O objetivo é que os animais recebam tratamento veterinário adequado para as lesões e infecções antes de serem destinados a santuários ou projetos de proteção animal, onde não corram mais o risco de serem utilizados em atividades de exploração.