Basta nos lembrarmos de que Cristo, o maior orador de todos os tempos, transmitia suas mensagens por meio das parábolas

Reinaldo Polito Publicado em 29/09/2023, às 13h19
A arte de saber contar histórias é um dos mais importantes recursos da boa comunicação, não só para quem fala em público, mas também para quem deseja se relacionar bem socialmente. Não basta, entretanto, aprender a contá-las de maneira hábil e competente, é preciso, da mesma forma, identificar os riscos que elas trazem em suas entrelinhas.
Veja como se valer das boas narrativas para ser um ótimo comunicador e ao mesmo tempo perceber os caminhos para se livrar das armadilhas que elas podem apresentar.
O domínio da narrativa
Uma história, quando bem contada, dentro de contextos apropriados, além de tornar a apresentação e a conversa mais interessantes, facilita a compreensão dos ouvintes e se transforma em excelente apoio para dar segurança. Isso porque depois de contá-la várias vezes, passamos a ter o domínio da narrativa, pois sabemos como iniciar, desenvolver e, principalmente como concluir.
A conclusão da história precisa ser testada exaustivamente. Um bom final pode, em certas circunstâncias, até salvar uma narrativa ruim. Assim como, um encerramento defeituoso chega mesmo a prejudicar uma boa história.
Ter estoque
Um bom exercício é contar a história muitas vezes em situações diferentes. Em cada ocasião, você vai eliminando as partes desnecessárias e incluindo aspectos que se mostram mais adequados. Assim que notar que está pronta, é só deixá-la na memória e partir para a próxima. Dessa maneira, terá à disposição um estoque consistente. Umas 15 a 20 são suficientes para atender praticamente a todas as necessidades.
É preciso tomar cuidado com as características dos ouvintes. No mundo corporativo, por exemplo, de maneira geral, as histórias fantasiosas, como fábulas e parábolas não são sempre recomendáveis. Podem destoar do mundo dos negócios e ser vistas como supérfluas e inadequadas, criando risco de levantar resistências.
Os exemplos
Nesses ambientes, o ideal são os exemplos extraídos do próprio tema, como o mercado onde se desenvolvem os negócios, dos produtos ou serviços comercializados, das empresas envolvidas nas tratativas. O exemplo servirá como reforço de argumentação, ajudará o público a entender melhor as ideias expostas e passará a impressão de que as informações foram transmitidas com objetividade.
As histórias fantasiosas são recomendadas às ocasiões em que se pretenda tocar a emoção e permitir que os ouvintes guardem a mensagem por tempo mais prolongado. É comum a plateia se esquecer do conteúdo da apresentação, mas se lembrar das histórias contadas pelo orador. Em situações mais festivas, diante de pessoas que não estejam envolvidas com negociações, investimentos, compra ou venda de produtos ou serviços, as fábulas e parábolas se mostram mais convenientes.
As parábolas
Basta nos lembrarmos de que Cristo, o maior orador de todos os tempos, transmitia suas mensagens por meio das parábolas. Hoje, depois de mais de 2 mil anos, essas mesmas histórias continuam a ser repetidas em todos os cantos do mundo com o mesmo objetivo – facilitar a compreensão dos ouvintes.
Por isso, seja um colecionador de histórias, verdadeiras e fantasiosas. Monte seu próprio estoque dessas narrativas e as deixe prontas para serem usadas nos instantes mais oportunos. Só tome a precaução de selecionar aquelas que sejam apropriadas para cada momento.
Qualidades e riscos
Quem sabe contar boas histórias tem maiores chances de ser bem recebido nas rodas sociais, ser visto como pessoa agradável e simpática, e ser admirado pela sua habilidade de comunicação.
Embora as histórias tenham essas qualidades, há alguns cuidados que devem ser tomados. Além de ser adequada para cada ocasião, normalmente, precisam ser curtas. Quase ninguém gosta de ouvir narrativas intermináveis, por mais interessantes que possam ser.
O número de histórias também precisa ser bem dosado. Contar até duas delas em uma conversa, tudo bem. Acima desse limite, somente em situações excepcionais, quando o contexto indique essa necessidade.
Ainda que as pessoas se mostrem interessadas, resista. Alguns, fisgados pela vaidade, percebendo que os ouvintes estão atentos às suas palavras, emendam uma atrás da outra. É mais ou menos como tomar caipirinha. A primeira é excelente, dá um prazer indescritível. A segunda é boa, mas não proporciona o mesmo prazer da primeira. Depois da terceira a pessoa conclui que deveria ter parado na primeira.
Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação e professor de Oratória nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão de Marketing e Comunicação, Gestão Corporativa e MBA em Gestão de Marketing e Comunicação na ECA-USP. Escreveu 34 livros, com mais 1,5 milhão de exemplares vendidos em 39 países. Siga no Instagram: @polito pelo facebook.com/reinaldopolito pergunte no https://reinaldopolito.com.br/home/
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