Representantes de condomínios, Prefeitura de Santos e especialistas discutem alternativas junto ao BNDES para custear intervenções que podem ultrapassar R$ 20 milhões por edifício

Redação Publicado em 12/06/2026, às 16h35
Moradores de edifícios inclinados em Santos se reuniram para discutir a criação de uma linha de financiamento para obras de estabilização, após tratativas com o BNDES. A proposta visa viabilizar a correção das inclinações em 65 prédios prioritários, enfrentando o desafio de custos que podem chegar a R$ 20 milhões por obra.
A Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados destacou que a inclinação dos edifícios é resultado de fundações inadequadas e condições geológicas desfavoráveis, afetando construções principalmente das décadas de 1950 a 1980. Atualmente, Santos possui 319 edifícios com algum grau de inclinação, exigindo monitoramento contínuo.
A proposta em análise prevê que a Prefeitura de Santos atue como garantidora em uma linha de crédito de longo prazo para os condomínios. A administração municipal continua acompanhando as negociações com o BNDES, que estão em fase de análise técnica e jurídica.
Moradores de edifícios inclinados localizados na orla de Santos participaram, nesta semana, de uma reunião para discutir alternativas que possam viabilizar financeiramente obras de reaprumo das estruturas. O encontro reuniu representantes de condomínios, técnicos da área de engenharia e integrantes da administração municipal, que debatem a criação de uma linha de financiamento específica para atender os chamados prédios tortos da cidade.
A discussão ocorreu na Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS) e faz parte das tratativas iniciadas após uma reunião realizada, em março, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A proposta apresentada prevê a criação de uma modalidade de crédito capaz de atender condomínios interessados em executar obras de estabilização e correção das inclinações.
De acordo com a Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados (Acopi), atualmente 65 edifícios da orla são considerados prioritários para possíveis intervenções. O principal desafio está no elevado custo das obras, que pode alcançar cerca de R$ 20 milhões por empreendimento, dependendo das características estruturais de cada imóvel.
Segundo o vice-presidente da Acopi, Carlos de Abreu Neto, o objetivo do encontro foi esclarecer dúvidas dos síndicos e moradores sobre as possibilidades de financiamento e os próximos passos necessários para a execução dos projetos.
A proposta em análise prevê que os recursos sejam disponibilizados diretamente aos condomínios por meio de uma linha de crédito de longo prazo. Nesse modelo, a Prefeitura de Santos atuaria como garantidora complementar da operação financeira, oferecendo maior segurança à instituição responsável pelo financiamento.
Caso a iniciativa avance, cada edifício passará por estudos individualizados para identificar as necessidades estruturais e estimar os custos reais das intervenções. Técnicos ressaltam que não existe uma solução única, já que cada construção possui características próprias relacionadas à fundação, idade da estrutura e grau de inclinação.
Análises técnicas
Especialistas explicam que a inclinação dos edifícios está diretamente ligada às condições geológicas da região. Grande parte dos prédios construídos entre as décadas de 1950 e 1980 foi erguida sobre fundações que não alcançavam camadas mais profundas e resistentes do solo.
A combinação entre a camada superficial de areia e uma extensa faixa de argila marinha de baixa resistência favoreceu o recalque das construções ao longo dos anos. Em diversos casos, edificações vizinhas acabaram influenciando umas às outras, provocando deslocamentos laterais e inclinações graduais.
Dados apresentados durante a reunião apontam que Santos possui atualmente 319 edifícios com algum grau de inclinação. Embora não exista indicação de risco imediato para os moradores, especialistas destacam a importância do monitoramento contínuo e da adoção de medidas preventivas para garantir a estabilidade das estruturas no longo prazo.
Possibilidades de correção
Entre as alternativas estudadas estão soluções de estabilização sem correção da inclinação, além de técnicas que permitem o reaprumo completo dos edifícios por meio da utilização de estacas profundas e macacos hidráulicos.
Um dos exemplos citados é o do edifício Núncio Malzoni, na orla santista, que passou por obras de reaprumo nos anos 2000 e se tornou referência nacional em recuperação estrutural. O caso demonstrou a viabilidade técnica da correção sem necessidade de retirada dos moradores durante a execução dos trabalhos.
A Prefeitura de Santos informou que continua acompanhando as tratativas junto ao BNDES. Segundo a administração municipal, as propostas encaminhadas seguem em análise técnica, jurídica e administrativa dentro da instituição financeira.
Leia também

Com Neymar e Neuer, Panini lança atualizações das figurinhas para o álbum da Copa 2026

Esqueça tudo o que você aprendeu para falar em público

Confira horários, shows e canais de transmissão de cada abertura da Copa do Mundo 2026

Guarujá ajuda 250 estudantes com oficina de primeiros socorros

A trajetória do Amor Romântico de Hollywood aos Doramas

Justiça dá 15 dias para construtoras corrigirem falhas graves no Conjunto Imigrantes, em Cubatão

Moradores de prédios inclinados em Santos buscam modelo de financiamento para viabilizar obras de correção estrutural

Guarujá abre 350 vagas em curso gratuito voltado ao setor portuário

Motociclista acusa guarda municipal de efetuar disparo durante abordagem em São Vicente

Cervejaria cria programação para solteiros e aposta em experiências temáticas no Dia dos Namorados em Santos