Seleção Brasileira

Carlo Ancelotti detalha critérios para levar Neymar e afirma: "Vai jogar se merecer"

Técnico ressaltou que a comissão focou na evolução física do camisa 10 e que treinos definirão a titularidade nos EUA

Craque do Peixe passou por exames na panturrilha na segunda-feira após pancada contra o Coritiba - Foto: Pedro Vilela/Getty Images
Craque do Peixe passou por exames na panturrilha na segunda-feira após pancada contra o Coritiba - Foto: Pedro Vilela/Getty Images

Gabriella Souza Publicado em 19/05/2026, às 11h55


A novela que parou o futebol brasileiro nas últimas semanas finalmente ganhou um desfecho nesta segunda-feira (18): Neymar vai para a Copa do Mundo de 2026. O anúncio oficial foi feito pelo técnico Carlo Ancelotti, que aproveitou a entrevista coletiva pós-convocação para detalhar os bastidores da escolha do camisa 10 do Santos, rebatendo as críticas e deixando claro que o craque não terá privilégios no elenco dos 26 convocados.

Ancelotti adotou um tom realista e transparente sobre a real condição do atacante no grupo e como pretende utilizá-lo nos gramados da América do Norte.

  • “Ele vai jogar se merecer jogar. O treino vai decidir isso. Acho importante não fixar toda a expectativa em cima de um só jogador. Escolhemos o Neymar não porque pensamos que vai ser um bom reserva, mas porque pode agregar com suas qualidades à equipe. Que jogue um minuto, cinco minutos, que não jogue, que jogue 90 minutos, que cobre o pênalti... Quantos minutos? Não sei. Creio que temos que focar na qualidade dos minutos, de maneira coletiva no campo”, disparou o treinador italiano.

Análise física e o fantasma das lesões

A comissão técnica passou o ano monitorando a recuperação do atleta, que ficou mais de um ano longe da Amarelinha após sofrer uma grave lesão no joelho esquerdo em outubro de 2023, além de uma artroscopia no menisco no fim de 2024. De volta à Vila Belmiro desde janeiro de 2025, Neymar passou por um rigoroso controle de carga física no Peixe e não sofreu baixas médicas graves neste ano, o que pesou a favor de seu chamado.

  • “Fizemos a avaliação do Neymar o ano todo. Ele é um jogador importante, vai ser importante nessa Copa do Mundo. Tem o mesmo papel e obrigação que os outros 25. Tem a possibilidade de jogar, não jogar, entrar, estar no banco. Tem a mesma responsabilidade que os outros. É um jogador experiente”, justificou Ancelotti, que pretende utilizá-lo de forma mais centralizada no ataque.

O comandante também minimizou o susto desta segunda-feira, quando o jogador precisou passar por exames após levar uma pancada na panturrilha direita na partida contra o Coritiba. De acordo com o treinador, o foco sempre foi a continuidade:

  • “A avaliação de todo o ano foi só a parte física, sempre falamos disso. Sempre foi um tema físico para ele. Jogou os últimos jogos com continuidade. Ele pode melhorar a sua condição física até o primeiro jogo da Copa. Experiência nesse tipo de competição, o carinho que tem no grupo pode ajudar no ambiente a sacar o melhor”, explicou.

Números no Peixe

Defendendo o Alvinegro Praiano, o atacante acumulou a regularidade que precisava para chancelar seu retorno: foram 15 jogos, seis gols e quatro assistências neste ano, somados às 28 partidas e 11 gols marcados na temporada de 2025.

A vaga de Neymar, no entanto, custou a ausência de outros destaques internacionais. Ao ser questionado se o santista havia entrado justamente no lugar de João Pedro, destaque do Chelsea, Ancelotti foi diplomático, mas firme nas suas convicções.

  • “Temos que considerar muitas coisas. O futebol no Brasil é muito difícil. É difícil comparar. Há as características individuais dos jogadores. Ficamos tristes por João Pedro, pela temporada que fez na Europa merecia estar na lista, mas infelizmente, com todo o respeito possível, escolhemos outros jogadores”, concluiu o técnico.

Com a confirmação, o atacante santista se prepara para disputar a sua quarta Copa do Mundo consecutiva, igualando um recorde restrito de lendas do futebol nacional, carregando na bagagem o posto de maior artilheiro da história da Seleção Masculina, com 79 gols oficiais.