Entre as medidas aprovadas, clube eleva para 20% a participação mínima do Santos em caso de venda do futebol

Gabriella Souza Publicado em 19/05/2026, às 08h41
O Conselho Deliberativo (CD) deu início, na noite desta segunda-feira (18) na Vila Belmiro, à atribulada sessão de votação do novo estatuto do clube. Cercado de intensas polêmicas e forte policiamento, com a torcida e alguns opositores que enxergam em algumas propostas uma tentativa de blindagem política e restrição de candidaturas para as eleições presidenciais de dezembro.
Maratona de emendas
A expectativa é de que o processo se arraste ao longo da semana. Os mais de 200 conselheiros vão analisar e votar individualmente 89 emendas apresentadas para os 105 artigos do projeto. Como o estatuto prevê que as sessões do CD se encerrem por volta da meia-noite, o tempo curto impedirá uma definição imediata.
O cronograma político ainda precisará respeitar o calendário esportivo do Peixe. Devido ao confronto contra o San Lorenzo nesta quarta-feira (20), pela Copa Sul-Americana, e à exigência da Conmebol de assumir o controle da Vila Belmiro 24 horas antes do jogo, as sessões estão vetadas nesta terça (19) e quarta (20). Com isso, os debates e votações remanescentes só serão retomados na quinta-feira (21).
Regras eleitorais e exigências
O ponto de maior atrito entre os conselheiros gira em torno das emendas que alteram os pré-requisitos para quem deseja se candidatar à presidência do Alvinegro. A redação inicial proposta pela Comissão do Estatuto estipulava que o postulante deveria comprovar 10 anos de associação ininterrupta e a participação em três mandatos dentro do CD.
O texto sofreu forte resistência e gerou uma enxurrada de contrapropostas. Há emendas que sugerem reduzir o tempo de associação para cinco anos, enquanto o número de mandatos exigidos no Conselho opõe diferentes visões: uma proposta exige dois mandatos, outra pede apenas um, uma terceira retira totalmente essa obrigatoriedade e uma quarta busca manter a regra do estatuto vigente, que não exige passagem prévia pelo CD.
SAF
O que foi aprovado nesta noite foi a transição do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) foram validados. Os conselheiros aprovaram uma alteração na proporcionalidade de uma futura venda: o Santos terá que reter, obrigatoriamente, no mínimo 20% das ações (o texto original previa 10%), permitindo que até 80% do futebol e do patrimônio sejam negociados. Além disso, o prazo para a convocação da assembleia que decidirá sobre a SAF passou de 30 para 60 dias.
A temperatura elevada dos debates refletiu-se do lado fora. O clima de "tensão na Vila" exigiu um forte esquema de acompanhamento policial na saída dos cartolas. O reforço na segurança ocorreu após um conselheiro alegar que estava armado no local. Além disso, os mais criticados pela torcida presente foram Celso Pires, presidente da Comissão de Estatuto, Marcelo Teixeira, presidente do clube, e Filetti, conselheiro que se envolveu em polêmicas.

Assembleia geral
Para que cada emenda seja integrada ao novo texto, basta obter maioria simples dos votos dentro do Conselho Deliberativo. Assim que a maratona de votações for encerrada, o presidente do órgão, Fernando Akaoui, terá um prazo de até 60 dias para convocar a Assembleia Geral de Sócios. No pleito dos associados, não haverá espaço para discussões pontuais: a reforma será votada em bloco (sim ou não) e a ratificação do novo estatuto só acontecerá se receber o aval de dois terços dos sócios votantes.
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