Após declarações de Trump, o Irã considera inviável jogar nos EUA e negocia com a FIFA para mudar os locais das partidas

Redação Publicado em 17/03/2026, às 10h16
A participação da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026, que será realizada na América do Norte, tornou-se o centro de um imbróglio diplomático e de segurança sem precedentes. Nesta segunda-feira (16), o presidente da Federação de Futebol do Irã, Mehdi Taj, confirmou que a entidade está em negociações diretas com a Fifa para que as partidas da equipe sejam transferidas dos Estados Unidos para o México. O motivo são as crescentes preocupações com a integridade física dos jogadores e da delegação em solo americano.
A crise escalou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar na semana passada que, embora o Irã seja bem-vindo, não seria "apropriado" que o time atuasse no país "pela própria vida e segurança".
Para o governo iraniano, a fala foi interpretada como uma admissão de que os EUA não podem garantir a proteção da equipe, especialmente após os recentes ataques aéreos conjuntos realizados pelos americanos e israelenses contra Teerã, que resultaram na morte do líder supremo do país.
Desafio
O Irã está no Grupo G e tem partidas programadas para Los Angeles e Seattle, onde enfrentaria Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Levar esses jogos para o México representaria uma mudança logística de grande escala para a Fifa, envolvendo transporte, hospedagem e segurança de outras seleções e torcedores. Embora a realocação de jogos por motivos geopolíticos já tenha ocorrido em eliminatórias e outros esportes, como no críquete entre Índia e Paquistão, uma mudança desse porte dentro de uma Copa do Mundo seria inédita.
Caso a Fifa negue o pedido de transferência, o cenário mais provável é a desistência oficial do Irã, o que seria a primeira na era moderna do torneio. O Ministério dos Esportes do país já sinalizou que, sob as atuais condições de conflito, a participação é inviável. Até o momento, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) afirma não ter recebido uma notificação de desistência, mas a pressão sobre a Fifa aumenta a cada dia, restando menos de três meses para o início da competição, marcado para 11 de junho.
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