Investigação

Bairro de luxo em Bertioga ganha destaque após imóvel ser citado em investigação sobre atuação do PCC

Casa avaliada em R$ 2 milhões, localizada na Riviera de São Lourenço, aparece em apuração do Ministério Público que investiga suposta mediação de conflito por integrantes da facção criminosa

Casa localizada na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, foi citada em investigação do Ministério Público sobre suposta atuação do PCC em disputa relacionada à venda do imóvel - Imagem: Reprodução/Foto da praia: cedida ao g1 Santos
Casa localizada na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, foi citada em investigação do Ministério Público sobre suposta atuação do PCC em disputa relacionada à venda do imóvel - Imagem: Reprodução/Foto da praia: cedida ao g1 Santos

Redação Publicado em 22/07/2026, às 15h55


A Riviera de São Lourenço, um bairro planejado de alto padrão em Bertioga, está sob investigação da Operação Janus, após uma residência de R$ 2 milhões ser ligada a uma disputa comercial que envolveu o 'tribunal do crime' do PCC, resultando em prisões preventivas de suspeitos.

As investigações revelam que o conflito na negociação do imóvel levou empresários, acusados de lavagem de dinheiro, a se conectar com membros da facção criminosa, desviando o caso da justiça convencional para a justiça paralela do PCC.

A Operação Janus continua em andamento, com prisões já realizadas e outros investigados foragidos, enquanto as autoridades buscam esclarecer a extensão da rede criminosa e a participação de cada indivíduo envolvido.

A Riviera de São Lourenço, bairro planejado de alto padrão localizado em Bertioga, no litoral de São Paulo, passou a integrar as investigações da Operação Janus após uma residência avaliada em R$ 2 milhões ser apontada como o centro de uma disputa comercial que, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), teria sido submetida ao chamado "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com as investigações, o impasse envolvendo a negociação do imóvel teria aproximado empresários investigados por lavagem de dinheiro de integrantes da facção criminosa. O caso integra um dos eixos da Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público, que resultou na decretação de prisões preventivas de investigados suspeitos de participação no esquema.

As apurações indicam que o conflito envolvia o pagamento relacionado à venda da residência. Segundo o MP-SP, diante do desacordo entre as partes, o caso teria deixado a esfera judicial e passado a ser tratado por integrantes do PCC, por meio do mecanismo conhecido como "tribunal do crime", prática utilizada por organizações criminosas para impor decisões e punições de forma paralela ao sistema oficial de Justiça.

Bairro planejado

Apesar de frequentemente ser confundida com um condomínio fechado, a Riviera de São Lourenço é um bairro aberto e planejado, implantado em Bertioga no fim da década de 1970. O acesso às vias internas é livre, assim como à faixa de areia da praia, embora o local possua portarias, monitoramento e sistema de segurança privada.

O empreendimento reúne infraestrutura urbana própria, com escolas, centro comercial, hotéis, restaurantes, unidades de saúde, shopping, complexo esportivo, campos de golfe, além de sistemas independentes de abastecimento de água, tratamento de esgoto e gestão ambiental. O bairro também abriga imóveis de alto padrão que podem atingir valores milionários e é conhecido por concentrar residências de empresários, atletas, artistas e influenciadores.

Operação Janus

Segundo o Ministério Público, a negociação envolvendo a casa na Riviera representa um dos elementos que sustentam a investigação sobre uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Entre os investigados estão empresários e pessoas apontadas como intermediárias entre os envolvidos na negociação imobiliária e integrantes da organização criminosa. Conforme a investigação, a atuação desse grupo teria permitido que o conflito comercial fosse encaminhado ao chamado "tribunal do crime", em vez de seguir os meios legais de resolução.

Ao todo, a Operação Janus teve prisões preventivas decretadas contra diversos investigados. Parte dos alvos foi presa durante a operação, enquanto outros permanecem foragidos. As investigações prosseguem para apurar a participação individual de cada envolvido e o alcance da suposta atuação da organização criminosa.


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