Empresário ligado à Amil e colaborador da Lava Jato aparece entre convidados do núcleo presidencial

Redação Publicado em 16/02/2026, às 11h16
A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo camarote oficial da Prefeitura do Rio, na Marquês de Sapucaí, foi além do protocolo e do clima de festa. O que mais repercutiu não foi apenas a agenda carnavalesca, mas a composição do grupo que o acompanhava: empresários e personagens que já figuraram em investigações de grande porte, reacendendo questionamentos sobre a relação entre poder público, interesses privados e exposição institucional.
Entre os presentes estava o empresário José Seripieri Filho, o “Júnior da Qualicorp”, fundador da Qualicorp e atualmente ligado ao controle da Amil. Ele foi preso em 2020 em investigação derivada da Operação Lava Jato, sob suspeita de caixa dois eleitoral, e liberado poucos dias depois. Em seguida, firmou acordo de delação premiada, mencionando autoridades como o ex-ministro Antonio Palocci e o senador Renan Calheiros.
A relação com o presidente vem de antes. Seripieri é tratado como próximo de Lula e já disponibilizou aeronave particular para compromissos internacionais do petista. Sua presença em um espaço institucional — cedido oficialmente ao cerimonial da Presidência — gerou incômodo entre opositores, que interpretam o gesto como sinal de reaproximação com grupos econômicos do setor de saúde suplementar.
O camarote também recebeu o banqueiro André Esteves, controlador do BTG Pactual. Ele enfrentou breve retenção na entrada por portar credencial de outro espaço, até ter o acesso regularizado, em meio a movimentação na recepção.
O espaço pertence à Prefeitura do Rio e foi disponibilizado pelo prefeito Eduardo Paes ao cerimonial presidencial. Na prática, a seleção dos convidados ficou sob responsabilidade do entorno do presidente, transformando o local em ponto de encontro de ministros, parlamentares e empresários de peso.
Na avenida, Lula foi tema do desfile da Acadêmicos de Niterói, que apresentou enredo sobre sua trajetória ao estrear na elite do carnaval. O desfile foi mantido após o Tribunal Superior Eleitoral rejeitar pedidos de suspensão por suposta propaganda antecipada. Os ministros entenderam que barrar previamente configuraria censura, mas registraram que eventuais excessos podem ser analisados depois.
Para críticos, o episódio sintetiza uma imagem politicamente sensível: festa pública, estrutura institucional e convidados com histórico controverso dividindo o mesmo enquadramento. Mais do que celebração, um retrato de bastidores do poder.
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