Moradores da Ponta da Praia e Aparecida relatam apreensão com forte odor que se espalhou pela região, confundido com vazamento de gás

Gabriel Nubile Publicado em 19/12/2025, às 09h26
Quem mora nos bairros da Ponta da Praia e Aparecida, em Santos, passou por momentos de apreensão e desconforto nesta semana. O que parecia ser um perigoso vazamento de gás doméstico, na verdade, vinha do mar. O forte cheiro que invadiu apartamentos e causou mal-estar na população foi provocado por uma operação de descarregamento de produtos químicos no porto.
A situação ficou tão crítica que a Autoridade Portuária de Santos (APS) precisou intervir e mandar parar os trabalhos no navio responsável pelo odor. A embarcação, de bandeira chinesa e batizada de Yu Zhu Feng, estava atracada na margem esquerda do porto, já no município de Guarujá. O cargueiro estava descarregando toneladas de sulfato de amônia, um composto muito usado em fertilizantes, mas que solta um cheiro forte e irritante.
A confusão começou na noite de segunda-feira (15) e se estendeu pelos dias seguintes. O medo de uma explosão fez muitos moradores ligarem para a portaria dos prédios e para os serviços de emergência. Um morador do bairro Aparecida, que pediu para não ter o nome divulgado, relatou que o susto foi grande ao chegar de viagem de São Paulo. Assim que desceu do carro, o cheiro forte tomou conta do ambiente. Segundo ele, o porteiro do condomínio confirmou que várias pessoas já haviam reclamado de náuseas e dor de cabeça ao longo do dia.
Sintomas físicos e medo de explosão
Os relatos de quem vive na região mostram o impacto na saúde. Outro morador contou que foi acordado de madrugada pelo odor insuportável. Na tentativa de dispersar o "gás", ele ligou o ventilador e voltou a dormir, mas o resultado foi pior: acordou no dia seguinte com as vias respiratórias irritadas e até secreção com sangue. "Fiquei com enjoo e muito preocupado com uma eventual explosão, porque o cheiro era muito forte", desabafou.
Mesmo nesta quinta-feira (18), dias após o início do problema, a sensação é de que o produto impregnou nas áreas comuns. Há relatos de cheiro "estocado" dentro de elevadores e lavabos, mesmo com a intensidade tendo diminuído um pouco.
Multa e retomada dos trabalhos
A APS informou que, após receber as denúncias, começou uma varredura no porto para achar o culpado. Primeiro, vistoriaram um navio no lado de Santos, mas não encontraram nada. A confirmação veio ao checar o cargueiro chinês em Guarujá.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também entrou no circuito. O órgão ambiental explicou que a operação só poderá recomeçar quando as condições do tempo e do vento estiverem favoráveis, para não jogar a fumaça química em cima da cidade. Além disso, a Cetesb avisou que vai analisar o relatório de inspeção e definir qual penalidade e multa serão aplicadas aos responsáveis pelo transtorno causado aos moradores.
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