Investigação

Morte de mulher após cirurgia estética múltipla é investigada pela Polícia Civil em São Paulo

Moradora de Iguape, de 39 anos, passou por procedimentos estéticos realizados em uma única intervenção cirúrgica e apresentou complicações horas depois da operação; laudos periciais devem esclarecer as causas da morte

Juliana Silva Xavier morreu aos 39 anos após apresentar complicações no período pós-operatório de uma cirurgia estética; caso segue sob investigação policial - Imagem: Arquivo Pessoal
Juliana Silva Xavier morreu aos 39 anos após apresentar complicações no período pós-operatório de uma cirurgia estética; caso segue sob investigação policial - Imagem: Arquivo Pessoal

Redação Publicado em 26/05/2026, às 15h21


A morte de Juliana Silva Xavier, de 39 anos, após complicações em uma cirurgia estética em São Paulo, está sendo investigada pela Polícia Civil, levantando questões sobre a segurança de procedimentos estéticos combinados em um único ato cirúrgico.

Juliana, que havia dado à luz cinco meses antes, passou por uma cirurgia que custou mais de R$ 37 mil e apresentou complicações graves, incluindo tromboembolia pulmonar, levando à sua morte dois dias após o procedimento.

A defesa do médico responsável afirma que a cirurgia foi realizada dentro dos padrões normais e que a equipe médica agiu rapidamente diante das complicações, enquanto a família busca esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e aguarda laudos periciais.

A morte de uma mulher de 39 anos após complicações registradas no período pós-operatório de uma cirurgia estética passou a ser investigada pela Polícia Civil de São Paulo. O caso envolve Juliana Silva Xavier, moradora de Iguape, no Vale do Ribeira, que realizou procedimentos estéticos combinados em uma única intervenção cirúrgica e morreu dois dias depois.

Segundo informações registradas no caso, Juliana passou por uma cirurgia realizada em 12 de maio em uma unidade hospitalar na capital paulista. O procedimento incluía intervenções em diferentes regiões do corpo, entre elas abdômen, seios e glúteos. Conforme relatos da família, o valor total da cirurgia ultrapassou R$ 37 mil.

A mulher havia dado à luz ao filho do casal cinco meses antes da cirurgia. De acordo com o marido, Luís Antônio Castro Barros, a decisão pelo procedimento atendia a um desejo pessoal de Juliana relacionado principalmente à colocação de próteses mamárias. Ele afirmou que, antes da realização da cirurgia, houve questionamentos sobre o período recente de pós-parto e que a família recebeu a informação de que não haveria impedimento para a realização da intervenção.

Ainda conforme o relato do viúvo, o tempo de permanência da paciente no centro cirúrgico chamou atenção da família. Segundo ele, a previsão inicial era de um período menor de duração, porém Juliana retornou ao quarto várias horas depois e desacordada.

Horas após o procedimento, a paciente apresentou intercorrências clínicas e precisou ser encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em seguida, ela foi transferida para outra unidade hospitalar com estrutura especializada para continuidade do atendimento e realização de exames complementares.

Segundo o marido, após recuperar a consciência em determinado momento, Juliana teria reclamado de fortes dores, sensação intensa de calor e sede. O quadro, porém, evoluiu rapidamente para agravamento clínico.

Ela foi transferida para outro hospital, onde, apesar das tentativas médicas para estabilização do quadro, a morte foi constatada em 14 de maio.

O caso foi registrado inicialmente como morte súbita sem causa determinante aparente, classificação utilizada em situações que exigem investigação para definição da origem do óbito. A apuração busca esclarecer se a morte ocorreu em decorrência de uma complicação médica inesperada, eventual condição clínica preexistente ou possível falha relacionada ao procedimento ou ao atendimento prestado.

O diagnóstico inicial apontado pela unidade de saúde citou tromboembolia pulmonar associada a agente biodinâmico. Entretanto, a confirmação da causa e das circunstâncias dependerá da conclusão dos exames periciais.

O corpo de Juliana foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), responsável pela elaboração dos laudos técnicos que deverão subsidiar a investigação policial.

Por meio de nota enviada à imprensa, a defesa do médico responsável afirmou que a cirurgia ocorreu dentro dos parâmetros considerados normais e que a paciente apresentou uma intercorrência clínica grave e inesperada no período pós-operatório. Segundo o posicionamento, a equipe médica identificou rapidamente o agravamento e adotou medidas assistenciais, incluindo transferência para atendimento especializado.

O Hospital Alvorada informou que recebeu Juliana em estado grave no dia seguinte ao procedimento e declarou que as equipes médicas realizaram todos os esforços necessários durante o atendimento. A unidade também manifestou solidariedade aos familiares.

Enquanto aguarda os resultados dos laudos periciais, a família afirma buscar esclarecimentos sobre as circunstâncias que antecederam a morte.