Denúncia

Vereadora de Praia Grande denuncia falas de cunho sexual durante gravação de podcast

Parlamentar Eduarda Campopiano registrou boletim de ocorrência após declarações feitas por outra participante durante debate transmitido pela internet; caso é investigado pela Polícia Civil

Eduarda Campopiano registrou boletim de ocorrência após declarações de cunho sexual feitas durante gravação de podcast exibido na internet - Imagem: Reprodução/YouTube/RedCast
Eduarda Campopiano registrou boletim de ocorrência após declarações de cunho sexual feitas durante gravação de podcast exibido na internet - Imagem: Reprodução/YouTube/RedCast

Redação Publicado em 28/05/2026, às 12h57


A vereadora de Praia Grande, Eduarda Campopiano, denunciou ter sido vítima de importunação sexual durante a gravação de um podcast, o que gerou uma investigação pela Polícia Civil após o registro do caso na Delegacia de Defesa da Mulher.

O incidente ocorreu em 7 de maio, quando a participante Savani Shakti fez comentários sexualmente sugestivos à vereadora, que se sentiu desrespeitada e decidiu interromper a gravação, considerando as falas como violência de cunho sexual.

O podcast RedCast, responsável pela gravação, ofereceu alternativas à vereadora após o episódio, e o conteúdo foi entregue às autoridades para investigação, enquanto a repercussão nas redes sociais gerou um debate sobre violência verbal e limites nas interações online.

A vereadora de Praia Grande Eduarda Campopiano denunciou ter sido vítima de importunação sexual durante a gravação de um podcast exibido em plataformas digitais. O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do município e é investigado pela Polícia Civil.

O episódio ocorreu durante uma gravação realizada em 7 de maio e publicada na internet no último sábado (23). O programa promovia um debate entre mulheres com posicionamentos religiosos e ideológicos distintos. Durante a discussão, uma das convidadas, identificada como Savani Shakti, passou a fazer comentários de conotação sexual direcionados à parlamentar.

As falas ocorreram enquanto as participantes discutiam temas ligados à religião, feminismo e comportamento. Em determinado momento da transmissão, Savani afirmou que “chuparia” a vereadora e passou a utilizar outras expressões de teor sexual, direcionadas diretamente à parlamentar.

As imagens divulgadas mostram o instante em que Eduarda interrompe a participação, levanta da cadeira e demonstra indignação com o conteúdo das declarações. A vereadora também questionou a permanência da gravação e afirmou que considerava a situação desrespeitosa.

Segundo o boletim de ocorrência, o caso foi registrado como importunação sexual na segunda-feira (25). A parlamentar afirmou que decidiu procurar a polícia após considerar que os comentários ultrapassaram os limites do debate e configuraram violência de cunho sexual.

Em nota, Eduarda declarou que divergências políticas, religiosas e ideológicas fazem parte do ambiente democrático, mas destacou que as declarações recebidas durante o podcast tiveram caráter invasivo e ofensivo.

A vereadora afirmou ainda que deixou o estúdio após o episódio, mas retornou posteriormente para concluir a gravação em respeito aos organizadores e demais participantes do programa.

O podcast RedCast, responsável pela produção do conteúdo, informou que o debate tinha foco em temas sociais e religiosos e afirmou que ofereceu alternativas à vereadora após o episódio, incluindo a interrupção da gravação e o acionamento da polícia ainda no local.

Segundo os responsáveis pelo programa, a parlamentar optou por concluir a participação e registrar a ocorrência posteriormente. O podcast também informou que o conteúdo integral da gravação foi entregue às autoridades policiais para auxiliar nas investigações.

A outra participante do debate, Lady Lucky, publicou nota nas redes sociais afirmando que não concorda com as falas feitas por Savani Shakti e classificou as declarações como inadequadas.

A reportagem não localizou a defesa de Savani Shakti até a última atualização desta matéria.

O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais após a vereadora publicar um vídeo comentando o episódio. A gravação ultrapassou milhões de visualizações e gerou debates sobre violência verbal, importunação sexual e os limites das interações em transmissões online.

Ao comentar o caso, a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB Santos, Larissa Paz, destacou que a legislação brasileira prevê punição para o ato independentemente do gênero de quem pratica a conduta.

Segundo ela, o crime de importunação sexual pode ter pena de até cinco anos de reclusão. A especialista acrescentou que o episódio também poderá ser analisado sob eventual enquadramento de injúria qualificada, dependendo do andamento da investigação.