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Novas tarifas dos EUA ameaçam 26% das exportações do Brasil; Sikêra Júnior critica postura de Lula

Tarifas afetam produtos essenciais como carne suína, açúcar e móveis, colocando em risco a indústria nacional; medidas podem afetar US$ 11 bilhões

Sikêra Júnior critica postura do governo brasileiro em relação às tensões comerciais com os EUA - Foto: CBN Santos
Sikêra Júnior critica postura do governo brasileiro em relação às tensões comerciais com os EUA - Foto: CBN Santos

Gabriella Souza Publicado em 17/07/2026, às 10h47


Uma nova rodada de tarifas pesadas anunciada pelo governo dos Estados Unidos promete mexer com o bolso dos produtores brasileiros e balançar a economia do país. De acordo com um levantamento detalhado feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), as novas taxas vão atingir diretamente cerca de 4.000 produtos fabricados no Brasil. A medida coloca em risco impressionantes US$ 11 bilhões (cerca de R$ 56 bilhões), o que representa mais de um quarto (26%) de tudo o que o Brasil exporta para o mercado norte-americano.

A decisão dos Estados Unidos veio após uma investigação que apontou supostas práticas comerciais injustas por parte do Brasil. Com isso, a partir da próxima quarta-feira (22), passará a valer um imposto de 25% sobre produtos nacionais muito importantes, como carne suína, açúcar e móveis de madeira.

A CNI explicou que o prejuízo só não foi maior porque o setor produtivo correu para negociar em audiências públicas em Washington, salvando cerca de R$ 11 bilhões que também corriam o risco de ser sobretaxados.

"Fica provocando", critica Sikêra Júnior 

Em uma entrevista exclusiva concedida à rádio CBN Santos, Sikêra lamentou o atual cenário econômico do país e apontou o dedo diretamente para a postura política do presidente Lula, afirmando que o governo brasileiro fica caçando briga desnecessária com o governo de Donald Trump.

  • "Terrível o Brasil. Já não estamos numa situação tão bacana, né? Você sabe disso quando vai ao supermercado, quando vai abastecer seu carro, quando vai comprar a farda ou os livros do seu filho. Agora, tem um detalhe aí: não é de hoje que o Lula sempre vem com aquela boa provocaçãozinha. Desafiando. 'Não, eu tenho o sangue de Lampião'. O homem se aquieta, pelo amor de Deus! Sabe quando você tem um vizinho mais bravo, com um currículo meio perigoso, que você fala 'deixa pra lá para não acontecer a tragédia'? Mas fica provocando.", desabafou o comunicador.

Os setores mais prejudicados pela decisão

A pancada no comércio internacional vai atingir em cheio algumas cadeias produtivas específicas que dependem muito do comprador americano. O setor de madeira, por exemplo, terá 81% de suas exportações afetadas pelo novo imposto.

Outros segmentos que vão sentir o impacto são:

  • Minerais não metálicos: 56% das vendas afetadas;
  • Produtos químicos: 51% das vendas afetadas;
  • Alimentos em geral: 38% das vendas afetadas.

O grande problema é que 60% de tudo o que o Brasil envia para os americanos nessa lista são bens intermediários, ou seja, peças e insumos que a própria indústria dos EUA usa para fabricar outros produtos. A CNI informou que vai continuar monitorando de perto a situação junto às autoridades dos dois países para tentar achar uma saída que traga de volta a estabilidade nas vendas.

Tensão diplomática e segurança pública

Para Sikêra Júnior, a falta de tato diplomático do governo federal acaba gerando um racha comercial perigoso que a maior parte da população ainda não conseguiu medir. Ele lembrou que o histórico do presidente americano é de respostas duras e ligou a insatisfação de Washington também a debates recentes sobre a segurança pública no Brasil, como a classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas por parte dos EUA.

O comunicador criticou o fato de o governo brasileiro ter questionado a intromissão americana quando o assunto é o crime organizado no país, citando a violência extrema vista em estados como o Rio de Janeiro.

  • "O que está acontecendo no Rio de Janeiro, como que eles estão atacando com um drone? Soltando bombinha, granada. Aquilo é o quê? Isso aí é um ataque terrorista. Em qualquer lugar do mundo era crime de terrorismos. Se você deixar uma bomba no meio da rua com um timer lá, você é considerado terrorista", completou Sikêra durante a entrevista em Santos.