Resíduos do narcotráfico se acumulam na areia e nos manguezais, contaminam o mar e afetam organismos marinhos.

Ana Beatriz Publicado em 05/01/2026, às 10h51
O que deveria ser sinônimo de lazer e natureza preservada tem se transformado em um retrato preocupante do impacto do narcotráfico e do consumo de drogas. Praias da Baixada Santista estão sendo tomadas por pinos plásticos de cocaína, um resíduo que vai além da poluição visual e representa uma ameaça ambiental e sanitária crescente.
Durante uma única ação de limpeza realizada na Praia de Itaquitanduva, em São Vicente, voluntários recolheram 844 pinos de cocaína em apenas seis horas. Em Santos, o cenário é ainda mais alarmante: o projeto Blue Keepers contabilizou 1.830 pinos nos manguezais, que hoje representam o segundo tipo de resíduo mais encontrado no município.
O problema não se limita ao lixo visível. Pesquisas conduzidas pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificaram traços de cocaína na água da Baía de Santos, nos sedimentos marinhos e até em organismos vivos. Espécies como ostras, enguias e mexilhões apresentaram alterações genéticas e hormonais, indicando contaminação direta do ecossistema.
Especialistas alertam que o descarte inadequado desses materiais está ligado tanto ao consumo nas cidades quanto às rotas do tráfico, que utilizam o litoral como ponto estratégico. O mar, agora, devolve à sociedade o reflexo do descaso ambiental, do vício e de um problema social complexo.
Cada pino encontrado na areia é mais do que um resíduo plástico: é um alerta sobre os impactos humanos, sociais e ambientais do narcotráfico, que avançam silenciosamente sobre áreas naturais e ameaçam a saúde pública.
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