Simulações indicam que o projeto atual pode causar perdas de até 50% na capacidade de acesso rodoviário ao terminal

Redação Publicado em 29/05/2026, às 16h29
Uma das maiores discussões de infraestrutura do país acaba de ganhar um capítulo bilionário nos bastidores. A Santos Brasil, maior operadora de contêineres do país, acendeu o sinal de alerta e solicitou formalmente uma alteração no traçado das obras do futuro túnel Santos-Guarujá. A companhia alega que o desenho atual dos acessos viários pode sufocar a logística do Tecon Santos, o maior terminal do setor no Brasil, gerando prejuízos que podem alcançar a casa das dezenas de bilhões de reais ao longo dos anos.
O pedido de socorro e as propostas de mudança foram protocolados formalmente à Autoridade Portuária de Santos (APS), à Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
A operadora fez questão de destacar que apoia totalmente a construção do túnel, mas critica severamente a engenharia dos acessos terrestres planejados para a saída da estrutura.
Os números do impacto: simulações projetam perdas gigantescas
Para embasar o pedido, a Santos Brasil realizou simulações e cálculos preliminares sobre o impacto que o projeto original teria na rotina do porto. Os resultados detalhados são alarmantes:
"A empresa entende a relevância e a legitimidade do empreendimento, mas propõe alternativas para melhoria do traçado na saída do túnel de forma a preservar as condições operacionais, logísticas e regulatórias indispensáveis ao funcionamento eficiente do Tecon Santos", declarou a Santos Brasil por meio de nota oficial.
Um gigante que opera no limite
O peso da reclamação se justifica pelo tamanho do Tecon Santos na economia nacional. Sozinho, o terminal movimentou 16% de todos os contêineres do Brasil no ano passado e quase metade de todo o volume que passa pelo complexo santista. Operando 24 horas por dia, o espaço funciona hoje muito perto do seu teto regulatório, registrando uma taxa média de ocupação de 90%. A empresa argumenta que a eliminação de faixas de rolamento e a criação de novas rotatórias e interseções próximas à entrada vão gerar gargalos e atrasos em cascata para o comércio exterior.
Governo Tarcísio avalia o pleito
A construção do túnel Santos-Guarujá é capitaneada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) dividida entre o Governo Federal e o Estado de São Paulo. O projeto foi leiloado no segundo semestre do ano passado e arrematado pelo consórcio formado pela empresa portuguesa Mota-Engil e pela gigante chinesa CCCC, que investirão R$ 6 bilhões para erguer a travessia submersa de 1,5 quilômetro.
Procurada para comentar as críticas da operadora portuária, a Secretaria de Parcerias em Investimentos do Governo de São Paulo confirmou que recebeu os documentos e informou que o pleito "está sendo analisado tecnicamente".
A gestão do governador Tarcísio de Freitas ressaltou que o projeto original passou por audiências públicas com especialistas antes de ir a leilão, mas ponderou que contribuições formais seguem em avaliação antes do início das escavações, agendado para 2027. O grupo Mota-Engil preferiu não se manifestar.
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