Parlamentar Eduarda Campopiano passou a ser investigada após associar povos indígenas a práticas de canibalismo e violência durante debate transmitido pela internet; caso ocorreu no mesmo programa em que ela denunciou importunação sexual

Redação Publicado em 29/05/2026, às 14h18
A vereadora de Praia Grande, Eduarda Campopiano, está sendo investigada por racismo após declarações controversas em um podcast, onde associou indígenas a práticas violentas, gerando um boletim de ocorrência por preconceito de raça na Polícia Civil de São Paulo.
As falas de Campopiano, que exaltaram a colonização e reforçaram estereótipos negativos sobre os povos indígenas, provocaram reações imediatas e virais nas redes sociais, levando a artista indígena Katú Mirim a formalizar a denúncia.
A Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo estão acompanhando o caso, enquanto a vereadora não se manifestou oficialmente sobre as acusações; o podcast também está sob investigação por um incidente de importunação sexual envolvendo outra participante.
A vereadora de Praia Grande Eduarda Campopiano passou a ser investigada por suposto crime de racismo após declarações feitas durante a gravação de um podcast transmitido pela internet. O caso ganhou repercussão nacional nos últimos dias e levou ao registro de um boletim de ocorrência por preconceito de raça ou cor na Polícia Civil de São Paulo.
As falas ocorreram durante um debate exibido no canal RedCast, publicado no último sábado (23), que reuniu quatro participantes para discutir religião, feminismo e comportamento social. Durante a conversa, Eduarda fez comentários relacionados à colonização do Brasil e associou povos indígenas a práticas de canibalismo, violência e sacrifícios.
Em um dos trechos do programa, a parlamentar afirmou que agradecia pela colonização e pela catequização dos povos originários, mencionando supostas práticas de violência entre indígenas. As declarações provocaram reação imediata das demais participantes do debate e passaram a circular nas redes sociais após cortes do programa viralizarem.
A denúncia foi apresentada pela artista e liderança indígena Katú Mirim, que procurou a Delegacia de Polícia de Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo, na terça-feira (26). Segundo o boletim de ocorrência, ela afirmou que as declarações atingiram diretamente os povos indígenas brasileiros ao reforçar estereótipos considerados discriminatórios e ofensivos.
Em nota divulgada nas redes sociais, Katú Mirim afirmou que a colonização brasileira não pode ser tratada apenas como um processo histórico de formação nacional, mas também como um período marcado por massacres, apagamento cultural, violência e perda de territórios indígenas. A artista destacou ainda que discursos que exaltam a colonização podem ser interpretados como uma legitimação da violência sofrida historicamente pelos povos originários.
O caso passou a ser acompanhado pela Polícia Civil e pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), que confirmou a existência da investigação. Até a última atualização do caso, a vereadora não havia se manifestado oficialmente sobre a denúncia de racismo.
O episódio ocorreu durante o mesmo podcast em que Eduarda Campopiano registrou uma denúncia de importunação sexual contra outra participante do programa, identificada como Savani Shakti. Segundo a vereadora, ela foi alvo de comentários de cunho sexual durante a gravação e procurou a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande após a divulgação do conteúdo.
Nas imagens divulgadas nas redes sociais, Savani faz comentários sexualizados direcionados à parlamentar. A situação provocou interrupção momentânea da gravação e gerou forte repercussão na internet. O caso também segue sob investigação policial.
O podcast RedCast informou, por meio de nota, que entregou a íntegra da gravação às autoridades e afirmou que o conteúdo do programa tem caráter de debate sobre religião e sociedade. A produção acrescentou que a vereadora foi consultada sobre como gostaria de prosseguir após o episódio envolvendo os comentários de cunho sexual.
Especialistas ouvidos após a repercussão do caso apontam que tanto as falas atribuídas à participante investigada por importunação sexual quanto as declarações relacionadas aos povos indígenas podem gerar desdobramentos judiciais distintos nas esferas criminal e cível.
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