Apurações indicam uso de documentos falsos e cobranças irregulares envolvendo tratamentos de crianças com TEA

Redação Publicado em 15/05/2026, às 16h57
A Polícia Civil de São Paulo investiga um esquema fraudulento envolvendo clínicas que atendem crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo as apurações, instituições especializadas estariam cobrando dos planos de saúde por sessões terapêuticas que nunca foram realizadas, utilizando registros supostamente falsos e práticas consideradas abusivas.
O caso revoltou famílias de pacientes autistas e profissionais sérios da área, principalmente porque o esquema teria explorado justamente um dos públicos mais vulneráveis da saúde: crianças que dependem de acompanhamento contínuo, terapias multidisciplinares e suporte especializado para desenvolvimento cognitivo, social e emocional.
De acordo com as investigações, uma mãe denunciou ter sido pressionada a aceitar o chamado “esquema 3 por 1”, no qual clínicas cobrariam três sessões terapêuticas para cada atendimento efetivamente realizado.
A polícia afirma que cinco clínicas já foram identificadas desde 2023, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 60 milhões aos planos de saúde. Em um dos casos investigados, uma clínica chegou a registrar supostos atendimentos de um paciente durante 25 horas em um único dia — algo considerado incompatível com a realidade.
Durante operação em uma clínica no bairro de Perdizes, na zona oeste da capital paulista, agentes apreenderam documentos que indicariam cobranças previamente planejadas para os próximos meses. A responsável pela unidade negou irregularidades e alegou que parte dos registros fazia referência a atendimentos acumulados de períodos anteriores.
Entidades ligadas ao autismo também reagiram com indignação. Especialistas alertam que fraudes desse tipo prejudicam diretamente milhares de famílias que já enfrentam dificuldades para conseguir vagas, autorização de terapias e cobertura adequada pelos planos de saúde.
Além do possível rombo financeiro, investigadores avaliam que o esquema pode ter causado danos emocionais e atrasos terapêuticos em crianças que necessitam de acompanhamento constante. Para pais e mães de autistas, o caso ultrapassa uma fraude financeira e atinge a dignidade de famílias que convivem diariamente com longas jornadas de cuidado, inclusão e busca por tratamento adequado.
A investigação segue em andamento e a Polícia Civil não descarta novas operações e responsabilizações criminais dos envolvidos.

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