Após 2 anos e 7 meses detida, Adriele é considerada inocente por agir em autodefesa contra padrasto violento

Gabriella Souza Publicado em 13/11/2025, às 11h45
Uma história com reviravolta no litoral paulista trouxe alívio para Adriele Aparecida Guilherme de Andrade, de 23 anos. A jovem, que passou dois anos e sete meses detida, foi considerada inocente pela Justiça. Ela era acusada de tentar matar o padrasto a facadas em São Vicente, mas o júri popular entendeu que Adriele agiu em autodefesa no momento da confusão. A decisão termina em um longo e complicado processo judicial que começou em abril de 2023.
O desfecho do julgamento trouxe uma vitória para a defesa da jovem, que desde o início sustentava que a atitude de Adriele foi uma resposta necessária para se proteger. O motivo para a absolvição foi o reconhecimento de que ela reagiu a uma agressão. Daniel Borges da Silva, o padrasto, chegou a enforcar a jovem, o que forçou Adriele a se defender do ataque.
Histórico de violência
O advogado que defende Adriele, Mário Badures, ressaltou que o histórico de violência do padrasto pesou na decisão. Daniel Borges da Silva já estava envolvido em outros problemas com a Justiça, como um processo por lesão corporal e, mais recentemente, outra prisão por agressão a uma nova companheira.
No dia da briga, 2 de abril de 2023, Adriele foi à casa da mãe em São Vicente com um objetivo simples: entregar talheres. O padrasto, segundo o advogado, tinha o costume de vender objetos da casa para sustentar o vício em drogas. A jovem, inclusive, não sabia que ele estaria no imóvel.
Apesar da acusação inicial do Ministério Público, que indicava uma vingança por ameaças feitas à irmã, a versão de Adriele foi outra. Ela contou que foi pega de surpresa ao chegar ao local. Uma discussão começou por causa de mensagens que ele teria enviado para a irmã dela. Adriele o teria provocado, o chamando de “pedófilo”, e a reação de Daniel foi violenta: ele a atacou, enforcou e agrediu. Foi nesse momento de pânico que ela reagiu usando um dos talheres que levava.
Padrasto agressor
A defesa celebrou muito a decisão e aproveitou para criticar a falta de provas concretas que mantiveram Adriele presa por tanto tempo. Em um comunicado, o advogado Mário Badures lamentou que a jovem, que ele considera a verdadeira vítima, tenha ficado detida desde abril de 2023. Ele afirmou que o que prevaleceu, até então, era a palavra do agressor, que tem um histórico de violência contra mulheres e sequer chegou a prestar depoimento oficial no processo.
Durante a tramitação judicial, mais fatos vieram à tona sobre o comportamento de Daniel. O processo revela que o padrasto foi novamente preso em junho de 2024, dessa vez em Gália, São Paulo, por suspeita de agredir a mulher com quem vivia na época.
Detalhes da Violência: Nos documentos anexados ao caso de Adriele, constam registros de boletins de ocorrência feitos pela ex-companheira do padrasto. Neles, ela detalha agressões frequentes, uso de drogas, o costume dele de furtar pertences da casa e, ainda, ameaças de morte. O conjunto de informações ajudou a desenhar o perfil violento de Daniel para os jurados.
Com o reconhecimento da legítima defesa, o Ministério Público optou por não recorrer da sentença, confirmando a absolvição de Adriele. O advogado finalizou dizendo que essa decisão coloca um fim em um processo que nunca deveria ter chegado ao júri, diante da clareza de que foi uma reação em legítima defesa.
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