Polícia

Operação Acato prende 'Apolo' e mais três chefes do tribunal do crime do PCC no litoral

Ofensiva mirou o setor de 'disciplina' da facção; prisões ocorreram em Guarujá, Praia Grande e Mongaguá

A Operação Acato prendeu quatro integrantes de alto escalão do PCC, incluindo o chefe da ala de disciplina, Aldo César, em ação coordenada pela DISE - Foto: Divulgação/ Polícia Civil
A Operação Acato prendeu quatro integrantes de alto escalão do PCC, incluindo o chefe da ala de disciplina, Aldo César, em ação coordenada pela DISE - Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Redação Publicado em 02/06/2026, às 10h19


Um duro golpe contra o tribunal do crime e a estrutura hierárquica do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi desferido no litoral paulista. Sob a coordenação da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE), a Polícia Civil deflagrou a Operação Acato nesta segunda-feira (1º), resultando na prisão de quatro integrantes de alto escalão da facção criminosa que atuavam na Baixada Santista e no Vale do Ribeira.

O principal alvo da ofensiva foi Aldo César da Costa, o "Apolo", apontado pelas autoridades como o chefe máximo da ala de cobrança e punições da organização no litoral, exercendo a função de "sintonia final do setor de disciplina". Além dele, outras três lideranças estratégicas foram capturadas em ações simultâneas em diferentes municípios da região.

Função dos "disciplinas" no crime organizado

De acordo com o relatório da investigação da DISE, os quatro suspeitos detidos ocupavam cargos de extrema confiança na facção. Eles integravam a chamada "banca de disciplina", setor encarregado de fiscalizar o cumprimento das regras internas da organização, julgar e executar sentenças contra rivais ou membros infratores no chamado "tribunal do crime", além de transmitir e garantir a execução de ordens vindas diretamente da cúpula da facção. O fio condutor que levou os policiais até esses chefões começou a partir da prisão anterior de outro membro importante da facção, Leandro da Luz Silva, o "Nike". Cruzando dados de inteligência e realizando diligências de campo, os investigadores conseguiram mapear a teia de comando regional.

Rastro das prisões e apreensões cidade por cidade

A Operação Acato exigiu um forte aparato policial e contou com o apoio tático do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itanhaém e da Delegacia Sede de Peruíbe. Em Guarujá, os agentes prenderam Aldo César, o "Apolo". No imóvel dele, foram apreendidos documentos de interesse para a investigação, três celulares e um utilitário Volkswagen T-Cross. Já em Praia Grande, foi detido Edison Edi Tassara Júnior, o "Jerusalém", e a polícia apurou que ele gerenciava o setor de disciplina nas cidades que compõem o Vale do Ribeira, sendo quatro celulares recolhidos com ele.

Em Mongaguá, os policiais realizaram duas prisões. A primeira foi a de Marcos Antônio Duarte da Luz, o "Libanês", apontado como responsável por chefiar as ações da facção na cidade de Itanhaém. Com ele, os policiais apreenderam um simulacro de arma de fogo, nove celulares, 20 relógios de luxo e um Renault Logan. No mesmo município, as equipes cumpriram o mandado contra Talita da Silva Costa, a "Medusa", acusada de comandar a disciplina do PCC em Peruíbe. No seu endereço, foram localizados três celulares, comprovantes de depósitos bancários e uma touca do tipo balaclava, muito usada para cobrir o rosto em ações criminosas.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) foi consultada sobre o andamento dos depoimentos dos suspeitos, mas ainda não se manifestou oficialmente. A Polícia Civil mantém os inquéritos abertos para identificar novas contas bancárias e ramificações da quadrilha no litoral.