Seis prisões e 22 mandados de busca foram realizados, bloqueando ativos financeiros significativos do grupo criminoso

Redação Publicado em 28/04/2026, às 08h48
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta segunda-feira (27), a Operação Contaminatio, uma ofensiva de larga escala para desarticular um braço financeiro e político do Primeiro Comando da Capital (PCC). A cidade de Santos foi um dos palcos centrais da ação, que investiga a infiltração da facção em administrações municipais para a lavagem de dinheiro oriundo, prioritariamente, do tráfico de drogas.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, resultaram na prisão de seis pessoas e no cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão em diversos estados. O impacto financeiro da operação é expressivo: a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos financeiros, visando asfixiar a estrutura econômica do grupo.
"Núcleo Político" e a Fintech do Crime
De acordo com o delegado Fabrício Intelizano, responsável pelo caso, a facção estruturou um sofisticado "núcleo político". O objetivo era acessar recursos públicos e influenciar eleições por meio do financiamento de candidaturas alinhadas aos seus interesses. A análise de dispositivos eletrônicos apreendidos em operações anteriores revelou que o grupo buscava dar aparência de legalidade aos seus ganhos ilícitos através de uma estratégia audaciosa.
Um dos pontos mais alarmantes da investigação foi a tentativa de inserção de uma fintech, empresa de tecnologia financeira, criada por integrantes do grupo para operar serviços bancários em prefeituras. A ideia era que essa empresa gerasse boletos e gerisse receitas municipais, utilizando o fluxo financeiro público para "lavar" o dinheiro do tráfico em grande escala.
Desdobramentos em Santos
Embora a operação tenha ocorrido simultaneamente em diversas cidades, a menção a Santos gerou repercussão imediata. Em nota oficial, a Prefeitura de Santos esclareceu que não é alvo da operação e que não possui contratos ou parcerias com a fintech sob investigação.
No entanto, a Administração Municipal confirmou que foi notificada sobre o envolvimento de um servidor. Gabriel Micelli, assessor da Secretaria de Meio Ambiente, teve seu nome citado na operação. Segundo o comunicado, o assessor informou que o envolvimento ocorreu devido ao contato com um dos investigados após a participação em um curso de formação política. Micelli já constituiu defesa e declarou que prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades assim que tiver acesso integral aos autos do processo.
Próximos passos
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que as apurações continuam para identificar outros possíveis servidores comissionados ou agentes públicos que possam ter facilitado a entrada do grupo nas administrações municipais. Ao todo, foram identificadas ao menos seis pessoas ocupando cargos em regiões como a Baixada Santista, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto, embora nenhum dos alvos possua mandato eletivo no momento.
A operação reforça a tese de que o crime organizado busca migrar para esferas institucionais, tentando institucionalizar o fluxo financeiro criminoso. A Polícia Civil agora analisa os novos materiais apreendidos para entender a profundidade desse "núcleo político" e se houve desvio efetivo de verbas públicas em contratos vigentes.
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