Advogado do sargento destacou falhas na investigação e a falta de provas técnicas que comprovassem a autoria do disparo fatal

Gabriella Souza Publicado em 12/12/2025, às 08h23
O sargento da Polícia Militar (PM), Flavio Sabino, considerado culpado pelo disparo que tirou a vida do adolescente Rodrigo Marques, de 15 anos, em um baile funk na praia de Peruíbe, foi considerado inocente pelo Tribunal do Júri. A decisão de absolvição saiu na última quarta-feira (10), encerrando um processo que se arrasta desde 2018, ano em que o caso aconteceu.
O júri popular, composto pelo Conselho de Sentença, decidiu por maioria que o policial militar não foi o responsável pelo crime, indo contra o pedido de condenação feito pela acusação. Por conta dessa decisão, a juíza Marcella Caliani, que atua no Foro de Peruíbe, declarou a denúncia improcedente e confirmou a absolvição do sargento Flavio.
Entenda a decisão do júri
No decorrer do processo, a defesa do sargento havia solicitado que ele fosse considerado inocente ou, como alternativa, que o crime fosse classificado como homicídio culposo, que ocorre quando não há o desejo de matar. O resultado, a absolvição, reforça o argumento da defesa de que não havia provas suficientes para ligar o policial à morte do jovem.
Em um comunicado, o advogado criminalista Alexandre Taveira, que representa o sargento, contou que a defesa apontou erros sérios na forma como a investigação foi conduzida e destacou que os exames técnicos (laudos) estavam incompletos. Segundo ele, era impossível provar que o tiro fatal veio da arma do cliente.
“Sem ter uma prova técnica mínima, o Júri confirmou a negativa de autoria e absolveu o sargento”, afirmou Taveira.
O que dizia a acusação
A denúncia original, apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), alegava que o PM assumiu o risco de matar quando atirou “ao menos duas vezes na direção de um grande grupo de pessoas”, sendo que um dos projéteis atingiu a cabeça do adolescente.
Flavio Sabino foi levado a julgamento por homicídio duplamente qualificado. No entanto, durante seu depoimento, ele negou ter sido o autor do tiro que matou o jovem. O sargento estava respondendo ao processo em liberdade enquanto aguardava o julgamento.
Versão do policial
Na ocasião do fato, em 2018, o policial disse à Polícia Civil que havia ido ao local após ser chamado para atender a uma ocorrência de roubo perto do evento musical. Ele alegou ter disparado apenas uma vez para o alto com o único intuito de fazer com que a multidão se afastasse e se dispersasse.
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