Investigação do Deinter-6 atinge prefeitura, quiosques e setor imobiliário de Praia Grande; Justiça decreta sequestro de 29 imóveis da facção

Redação Publicado em 03/09/2026, às 09h28
A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, na manhã desta quinta-feira (3), uma megaoperação com o objetivo de desarticular um braço financeiro e político ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo é acusado de lavar dinheiro oriundo do narcotráfico e de exercer forte interferência sobre atividades econômicas e estruturas da administração pública em Praia Grande, na Baixada Santista. As diligências da chamada Operação Helmintos cumprem dezenas de mandados judiciais em imóveis residenciais de alto padrão, estabelecimentos comerciais, empresas privadas e em um setor da Prefeitura de Praia Grande, além de endereços distribuídos pelos municípios de Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba.
As investigações são conduzidas pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter-6), com sede em Santos. De acordo com os relatórios de inteligência financeira, o núcleo criminoso estruturou uma complexa rede de lavagem de capitais formada por lideranças do crime organizado, operadores bancários clandestinos, corretores imobiliários e dezenas de "testas de ferro" — pessoas que emprestavam nomes e CPFs para ocultar o patrimônio real da facção. Estima-se que o esquema tenha movimentado valores próximos a R$ 1 bilhão por meio da compra de mansões, apartamentos de luxo e empresas comerciais.
Quatro frentes de atuação e infiltração no poder público
O trabalho investigativo mapeou quatro linhas principais de atuação que revelam a tentativa da organização criminosa de cooptar e influenciar setores estratégicos dos poderes Executivo e Legislativo municipais:
Diante do volume de provas materiais, a Polícia Civil representou junto ao Poder Judiciário pela decretação da prisão temporária de quatro suspeitos apontados como articuladores e operadores da rede financeira. A Justiça também deferiu dezenas de mandados de busca e apreensão para o recolhimento de computadores, celulares, dinheiro em espécie, contratos e armamentos, além de ordenar o sequestro de 29 imóveis vinculados aos alvos e o bloqueio cautelar de contas bancárias e aplicações financeiras.
O nome "Helmintos" faz alusão biológica a vermes parasitas, numa referência direta à ação predatória da organização, que se infiltrava no tecido econômico local para minar a livre concorrência e capturar recursos da administração pública. As apurações continuam em andamento sob segredo de justiça para identificar agentes públicos coniventes e alcançar o desmantelamento integral da estrutura patrimonial do esquema.
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