Polícia

Tribunal do crime: Polícia prende quatro suspeitos de torturar e executar jovem por postagens em rede social

Maria Eduarda foi sequestrada e torturada em Guarujá; polícia busca localizar seu corpo e identificar outros envolvidos

A prisão de quatro suspeitos marca um avanço na investigação do desaparecimento e morte de Maria Eduarda, conhecida como Duda Encrenca - Foto: Divulgação/ Polícia Civil
A prisão de quatro suspeitos marca um avanço na investigação do desaparecimento e morte de Maria Eduarda, conhecida como Duda Encrenca - Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Redação Publicado em 20/02/2026, às 09h48


A Delegacia de Homicídios de Santos deu um passo decisivo na elucidação de um crime que chocou a Baixada Santista no início deste ano. Nesta quinta-feira (19), quatro pessoas foram presas temporariamente sob suspeita de envolvimento no desaparecimento e morte de Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, conhecida como “Duda Encrenca”. A investigação aponta que a jovem, natural do Paraná, foi vítima do chamado "tribunal do crime" após realizar postagens em suas redes sociais exaltando uma facção criminosa rival à que domina o litoral paulista.

De acordo com o delegado Thiago Nemi Bonametti, a dinâmica do crime começou a ser desenhada a partir do comportamento digital da vítima. No Instagram, Maria Eduarda mantinha stories em destaque onde exibia símbolos e siglas do Comando Vermelho (CV). Essa exposição, considerada uma afronta direta pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), permitiu que criminosos locais a identificassem em uma praia da região durante o feriado de Ano-Novo. Segundo a polícia, ela estava no litoral havia apenas uma semana quando foi localizada.

Revolver e munições apreendidas
Revolver e munições apreendidas

Sequestro, tortura e o "julgamento"

O crime ocorreu na madrugada de 2 de janeiro. Após uma confraternização, Maria Eduarda e seu companheiro foram rendidos e colocados no porta-malas de um veículo. Ambos foram levados para uma área de morro nas proximidades da Vila Zilda, em Guarujá, onde foram submetidos a sessões de tortura por homens armados com facões e fuzis. Enquanto o rapaz foi liberado horas depois, a jovem permaneceu em poder dos criminosos. Para os investigadores, não restam dúvidas de que ela foi executada após o "interrogatório" clandestino, embora seu corpo ainda não tenha sido localizado.

A polícia enfatiza que, independentemente de qualquer histórico criminal ou vínculo com organizações, Maria Eduarda já tinha registro por tráfico de drogas, ela foi vítima de uma execução sumária e cruel. O delegado Bonametti explicou que o "tribunal do crime" é uma prática utilizada para punir inimizades ou qualquer violação ao "estatuto" imposto pela facção na região, funcionando como uma demonstração de força e controle territorial.

Perfil dos presos e as próximas etapas

Entre os quatro detidos nesta fase da operação, destaca-se um integrante da facção apontado como executor direto. As prisões também incluem um casal próximo à vítima, suspeito de tentar ocultar provas ao descartar pertences de Maria Eduarda logo após o desaparecimento, e um motorista de aplicativo. Este último foi flagrado utilizando o celular da jovem e realizando uma viagem suspeita até o Paraná logo após o crime, retornando posteriormente ao litoral.

Os suspeitos responderão por crimes graves, incluindo homicídio qualificado, sequestro, tortura e organização criminosa. A Polícia Civil agora concentra esforços em duas frentes: localizar o corpo de Maria Eduarda e identificar outros possíveis participantes do conselho que decretou a morte da jovem. Informações que ajudem a polícia podem ser enviadas anonimamente pelo Disque-Denúncia (181).