Entenda como a Meta se defende das acusações de plágio e as implicações legais envolvidas

por Reinaldo Polito
Publicado em 08/05/2026, às 11h51
Nunca se falou tanto em plágio como agora na era da inteligência artificial. A Meta, que controla o WhatsApp, Facebook e Instagram, passa por momento delicado. Grandes editoras americanas e até autores entraram com processo alegando que suas obras foram copiadas por ela sem autorização.
É briga de gente grande e vai dar muito pano pra manga. A Meta se defende dizendo que a cópia de livros se baseia na doutrina de “uso justo”, com amparo nas leis americanas de direito autoral. O tema é controverso. Para alguns, incluindo aí um juiz da Califórnia, em certos casos pode-se aplicar o conceito de “uso justo”, já que não teria havido prejuízo direto aos reclamantes; em outros, entretanto, a ênfase é para o fato de que cópia sem autorização é ilegal.
Citação bibliográfica e plágio
Já sofri muito com plágio.
Depois de 40 anos atuando como escritor e 39 livros publicados, era de se esperar que alguém recorresse a alguns deles em suas pesquisas. O que efetivamente ocorreu. Não sei dos outros autores, mas eu me sinto lisonjeado quando vejo uma de minhas obras citadas em bibliografias. Gosto. Ponto.
O problema são os plágios. Alguns autores copiam na maior cara dura e ainda por cima citam escritores estrangeiros na bibliografia. Em alguns casos, páginas inteiras. Já houve até exemplo de cópia do trabalho inteiro. Um deles citou: Segundo o professor paulista Reinaldo Polito... e aí foi copiando tudo. Não gosto. Ponto.
As “vozes da experiência”
Certa vez, reclamei com a editora de um plágio descarado. Fui chamado para uma reunião. As “vozes da experiência” me esclareceram: Polito, deixa como está. O livro dele morre sozinho. Não possui nenhuma relevância. Se você mexer com isso, pode se transformar em publicidade que ele não tem hoje.
Pensei: bem, eles devem saber do que estão falando. Depois, deve ser só questão de vaidade minha. Passado um tempo, quase caí de costas. O “autor irrelevante” estava com seu livro em grande destaque em uma importante rede de livrarias, do mesmo grupo da editora, bem em cima dos meus exemplares. Fotografei e enviei para que vissem. Nem conversaram. Imediatamente tiraram os livros da rede.
Linha dura
A minha filha Rachel deu aulas por duas décadas em uma das mais prestigiosas faculdades do país. Uma de suas matérias foi “Trabalho de Conclusão de Curso”. Não hesitava. Todas as vezes em que descobria um Ctrl c, Ctrl v, reprovava o aluno. Como eram filhos de pais importantes na sociedade, chamavam-na à diretoria para dar outra chance ao aluno. Nunca deu.
A Rachel e eu já publicamos vários livros em coautoria. Em um deles, “Aprenda a falar em público com os melhores pregadores da história”, surgiu um impasse. Santo Agostinho afirma que existem pessoas capazes de proferir muito bem um discurso, mas incapazes de o compor. Ao justificar que um pregador poderá usar o texto de outro, afirma que as ideias expressas por quem compôs o discurso são de propriedade de Deus.
O livro enroscou aí:
“Papai, isso é plágio. Não podemos dar essa sugestão.”
“Mas filha, foi o Santo Agostinho quem disse.”
“E daí, é plágio do mesmo jeito.”
Saída salomônica
Depois de muita discussão, o capítulo foi encerrado com esta observação: “Caberá a você, como pregador, avaliar de maneira honesta se empreendeu todos os esforços na tentativa de compor seu próprio discurso. Se julgar que sua competência fica aquém dessa empreitada, e resolver lançar mão do discurso preparado por outro orador, porque entende que essa fala representa efetivamente a palavra de Deus, tenha sempre a honestidade intelectual de citar a fonte”.
A fronteira do plágio é perigosa. Certos autores se apaixonam tanto por determinadas ideias que depois de um tempo começam a julgar que são de sua propriedade. De tal maneira que, após citá-las em palestras, aulas e textos, sem perceber até, imaginam que foram eles mesmos que as criaram. Deixam de mencionar a fonte e caem no crime de plágio.
Esse caso das IA será um bom parâmetro para avaliar os limites entre a criação, o “uso justo” e a cópia ilegal. Como a situação é irreversível, uma espécie de jurisprudência precisa ser concebida para que todos possam conviver harmoniosamente. Parece, entretanto, que a história irá se arrastar por muito tempo. Até lá, todos vão se defendendo pelas brechas da lei. Que prevaleça o que seja mais justo e correto.
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