Toto Wolff elogiou o espetáculo em Montreal, mas admitiu preocupação com o risco de acidentes entre o líder do campeonato e o vice

Gabriella Souza Publicado em 27/05/2026, às 10h08
A disputa de tirar o fôlego entre Kimi Antonelli e George Russell foi o ponto alto do GP do Canadá, mas nem só de empolgação viveu a Mercedes após a bandeirada em Montreal. Toto Wolff, chefe da equipe alemã desde 2013, elogiou a batalha ferrenha pela liderança no Circuito Gilles Villeneuve, mas adotou um tom de cautela. O dirigente afirmou publicamente que o time pode ter que intervir para frear os excessos e "amenizar" os duelos internos em determinados momentos da temporada de 2026.
Fantasmas do passado
O temor do dirigente austríaco tem fundamento histórico, já que ele traz os desgastantes duelos entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg bem vivos na memória. Durante o período de hegemonia das Flechas de Prata na década passada, a relação daquela dupla se deteriorou ao ponto de protagonizarem incidentes altamente prejudiciais ao time, como a famosa batida mútua no GP da Espanha de 2016.
Embora aprecie o espírito competitivo, Wolff ressaltou que Antonelli e Russell andaram próximos demais em solo canadense, elevando o risco de um prejuízo gigantesco para os planos da fábrica de Brackley.
Análise de bastidores e possíveis ordens de equipe
Na sequência, o chefe da Mercedes garantiu que o comportamento da dupla será pauta de reuniões internas nos próximos dias. A intenção é mapear os excessos cometidos na pista e alinhar com os competidores até onde a escuderia tolerará o confronto direto sem a necessidade de acionar ordens de equipe pelo rádio.
Histórico de faíscas em Montreal
Apesar de Antonelli e Russell virem dividindo as atenções na liderança do Mundial de Pilotos desde a primeira etapa, o final de semana em Montreal representou a primeira grande guerra declarada na pista. As faíscas começaram ainda na corrida sprint de sábado, quando o italiano saiu do traçado duas vezes (nas curvas 1 e 8) ao tentar superar o parceiro.
Incomodado, Kimi reclamou via rádio de ter sido empurrado para fora pelo britânico. As queixas repetitivas fizeram com que o próprio Toto Wolff entrasse na linha para repreender o jovem de forma ríspida, quebrando o protocolo padrão de comunicação que costuma ficar restrito ao engenheiro Peter Bonnington.
No domingo, o cenário de alta tensão se repetiu na metade inicial da corrida principal, com trocas constantes de posição e pneus travados. A batalha só teve um desfecho na volta 30, quando o carro de Russell simplesmente desligou sozinho por uma falha mecânica, entregando a vitória para Antonelli. Com o resultado, o italiano chegou aos 131 pontos e abriu uma confortável vantagem de 43 pontos sobre o companheiro britânico, vice-líder com 88.
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