Levantamento aponta 142 registros no primeiro semestre de 2026; agressões físicas, psicológicas e financeiras estão entre as ocorrências mais frequentes

Redação Publicado em 16/06/2026, às 18h05
Entre janeiro e junho de 2026, Santos registrou 142 denúncias de violência contra idosos, com 60% ocorrendo em suas residências, evidenciando a gravidade do problema familiar e a necessidade de atenção às vítimas.
No Brasil, as denúncias de violência contra idosos aumentaram quase 30% em relação ao ano anterior, totalizando mais de 75 mil casos, com a maioria das ocorrências em Santos envolvendo violência física, psicológica e financeira.
O CMDPI destaca a importância de denunciar essas situações, que podem ser feitas pelo telefone 190 ou pelo Disque 100, e alerta para sinais de abuso, como isolamento social e discussões frequentes, especialmente em um contexto de envelhecimento populacional na região.
Santos registrou 142 denúncias de violência contra pessoas idosas entre janeiro e junho de 2026. Os dados, divulgados pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDPI), mostram que aproximadamente 60% das ocorrências aconteceram dentro das próprias residências das vítimas, cenário que reforça a preocupação com casos envolvendo familiares e pessoas próximas.
O levantamento acompanha uma tendência observada em todo o país. Nos primeiros meses deste ano, o Brasil contabilizou mais de 75 mil denúncias relacionadas à violência contra idosos, número que representa crescimento de quase 30% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Em Santos, as principais ocorrências envolvem violência física, psicológica e financeira. Segundo o CMDPI, entre as vítimas identificadas estão 76 mulheres e 16 homens. Outros 50 registros não apresentavam informação sobre o sexo da pessoa atendida.
De acordo com o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, Rubens Filho, uma parcela significativa dos casos ocorre dentro do ambiente familiar, o que pode dificultar a denúncia e a identificação das situações de abuso.
Entre os episódios mais recorrentes está a violência patrimonial, caracterizada pelo controle indevido dos recursos financeiros do idoso. Segundo o conselho, há situações em que familiares assumem o acesso a benefícios previdenciários e passam a administrar os valores sem o consentimento da vítima. Além disso, golpes aplicados por meios digitais também aparecem entre as ocorrências registradas.
Outro fator apontado pelo órgão é a dependência emocional ou física de muitos idosos em relação aos próprios familiares, condição que frequentemente contribui para o silêncio das vítimas. Em diversos casos, as denúncias chegam às autoridades por meio de vizinhos, amigos ou pessoas que percebem alterações na rotina do idoso.
Entre os sinais que podem indicar situações de violência estão o isolamento social, a dificuldade de contato com familiares, discussões frequentes dentro da residência, marcas de agressões e o desaparecimento repentino do idoso de atividades cotidianas que costumava frequentar.
A preocupação com o tema ganha relevância diante do envelhecimento da população regional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 19% dos moradores da Baixada Santista possuem 60 anos ou mais. Santos apresenta o maior índice da região, com 25% da população nessa faixa etária, seguida por Mongaguá (23%), Itanhaém (22%) e Peruíbe (22%).
Casos recentes registrados na região também evidenciam diferentes formas de violência contra idosos. Em maio deste ano, uma mulher foi presa em Itariri sob suspeita de manter idosos em condições inadequadas em uma clínica clandestina. Durante a ação, quatro pessoas foram encontradas em situação considerada precária e encaminhadas para acolhimento.
Outro episódio investigado pela Polícia Civil ocorreu em Santos, onde um idoso de 77 anos relatou prejuízo de aproximadamente R$ 150 mil após ser convencido a realizar pagamentos sob a promessa de tratamentos espirituais. A suspeita foi posteriormente indiciada por estelionato qualificado.
As denúncias de violência contra idosos podem ser feitas pelo telefone 190, da Polícia Militar, em situações de emergência, ou pelo Disque 100, canal nacional do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania voltado ao recebimento de denúncias de violações de direitos.
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