Cantor foi detido na Riviera de São Lourenço e teve R$ 1,6 bilhão bloqueado pela Justiça

Redação Publicado em 17/04/2026, às 08h32
A prisão de MC Ryan SP, ocorrida nesta quinta-feira (16) como parte da Operação Narco Fluxo, provocou o cancelamento imediato de sua agenda de shows. O cantor, apontado pela Polícia Federal como um dos líderes de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, se apresentaria nesta sexta-feira (17) em São Vicente, no litoral de São Paulo.
O evento no Rocket Sea Club, no bairro Japuí, foi mantido pela produtora All In, que escalou o MC Lele JP para substituir Ryan. Em nota oficial, a empresa citou apenas "motivos alheios à nossa vontade" para justificar a ausência do funkeiro.
A Polícia Federal detalhou como funcionava a estrutura criminosa que movimentou cifras astronômicas. Ryan é acusado de utilizar suas empresas de entretenimento para misturar lucros legítimos com dinheiro vindo de tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas digitais. Para "blindar" sua fortuna, o cantor teria transferido participações societárias para familiares e operadores financeiros, convertendo os valores em ativos de luxo, como mansões e joias. Somente em veículos, a PF apreendeu cerca de R$ 20 milhões.
Papéis na organização criminosa
Segundo o delegado Marcelo Maceiras, o grupo contava com uma divisão clara de tarefas para dificultar a fiscalização. Enquanto MC Ryan SP é apontado como o líder e principal beneficiário econômico, o MC Poze do Rodo estaria vinculado a empresas que faziam circular recursos de rifas e apostas. Na estrutura de apoio, Tiago de Oliveira atuava como "braço direito" e gestor do material ilícito, enquanto Rodrigo de Paula exercia a função de "contador" do grupo.
A rede ainda contava com Alexandre de Paula para a intermediação com plataformas de apostas e Raphael (dono da Choquei) para a "contenção de imagem" e divulgação positiva do cantor. Outros nomes, como Henrique Viana (Rato), são suspeitos de realizar operações financeiras sem lastro para lavar o dinheiro.
Operação Narco Fluxo e o "Caminho do Dinheiro"
A ofensiva é um desdobramento de investigações que começaram em 2023, após a apreensão de um veleiro carregado com drogas. Ao rastrear os recursos, a PF identificou que influenciadores com grande visibilidade eram recrutados para dar aparência de legalidade aos valores das facções criminosas.
Ao todo, 90 mandados foram cumpridos em nove estados e no Distrito Federal. Enquanto MC Ryan foi detido em um condomínio de luxo na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, o MC Poze do Rodo foi preso no Rio de Janeiro. As defesas dos artistas informaram que buscam acesso aos autos para se manifestarem oficialmente na Justiça.
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