Em entrevista com a CBN, presidenciável classificou como violação de direito humano a proibição de contato por cartas entre os dois

Gabriella Souza Publicado em 15/07/2026, às 10h55
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista exclusiva à CBN Santos.
Zema classificou como "perseguição política" e "disfuncionalidade" a decisão do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A medida foi tomada após o senador ler, em uma transmissão ao vivo, uma carta de apoio político escrita pelo pai.
Com a suspensão temporária determinada pelo STF, pai e filho ficarão impedidos de se encontrar até o dia 11 de outubro, período que engloba o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
"Dois pesos e duas medidas"
Em conversa com o jornalista Douglas Gonçalves, o presidenciável defendeu o direito constitucional de comunicação familiar e comparou o episódio ao cenário eleitoral de 2018, quando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava preso em Curitiba e mantinha interlocução ativa com seu partido.
Por conta desse posicionamento da Corte, Zema afirmou que o STF vem operando com desvio de sua função institucional originária:
Críticas à composição do STF e menção ao Banco Master
Ao detalhar o que considera uma crise de credibilidade no Judiciário, o pré-candidato sugeriu que há magistrados envolvidos em escândalos financeiros que deveriam ser afastados dos cargos, citando nominalmente o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Defesa de reforma no ordenamento jurídico
Para o ex-governador, a centralização de decisões de execução penal e análise de condutas cotidianas de presos na Suprema Corte sobrecarrega a estrutura e desvia o foco das grandes teses constitucionais. Ele utilizou uma analogia do setor corporativo para explicar a situação:
Entenda o contexto da suspensão
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, expedida na segunda-feira (13), considerou que a leitura pública da carta de Jair Bolsonaro por seu filho Flávio configurou um "desvio de finalidade" das visitas íntimas e familiares.
O magistrado apontou que a transmissão ao vivo violou a medida cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais diretamente ou por meio de intermediários. Moraes também estabeleceu um prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro esclareça se ele autorizou ou sabia da divulgação da carta e encaminhou o caso ao Ministério Público Eleitoral para apurar suposta propaganda antecipada.
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