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Zema chama STF de 'tribunal político' e critica punição a Bolsonaro por carta

Em entrevista com a CBN, presidenciável classificou como violação de direito humano a proibição de contato por cartas entre os dois

Zema aponta "dois pesos e duas medidas" do STF ao comparar caso de Bolsonaro com Lula em 2018 - Foto: CBN Santos
Zema aponta "dois pesos e duas medidas" do STF ao comparar caso de Bolsonaro com Lula em 2018 - Foto: CBN Santos

Gabriella Souza Publicado em 15/07/2026, às 10h55


O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) em entrevista exclusiva à CBN Santos.

Zema classificou como "perseguição política" e "disfuncionalidade" a decisão do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A medida foi tomada após o senador ler, em uma transmissão ao vivo, uma carta de apoio político escrita pelo pai.

Com a suspensão temporária determinada pelo STF, pai e filho ficarão impedidos de se encontrar até o dia 11 de outubro, período que engloba o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.

"Dois pesos e duas medidas"

Em conversa com o jornalista Douglas Gonçalves, o presidenciável defendeu o direito constitucional de comunicação familiar e comparou o episódio ao cenário eleitoral de 2018, quando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava preso em Curitiba e mantinha interlocução ativa com seu partido.

  • "Acho que todo mundo já viu filmes, já viu diversas ocasiões em que quem está detido se comunica por carta. Como foi dito, é algo mais do que normal, é verificável. Ninguém vai mandar dentro de uma carta uma faca, uma pistola, droga, etc. É papel. Então, é você querer tolher um direito do ser humano de se comunicar com o filho, se comunicar com a esposa, com a família. E além disso, nós temos de lembrar que lá em 2018, quando o Lula estava detido, ele se comunicou diversas vezes com ao então candidato dele, Fernando Haddad. Parece que está havendo aí dois pesos e duas medidas.", afirmou o presidenciável.

Por conta desse posicionamento da Corte, Zema afirmou que o STF vem operando com desvio de sua função institucional originária:

  • "Eu tenho dito que esse Supremo tem sido mais um tribunal político do que um tribunal jurídico."

Críticas à composição do STF e menção ao Banco Master

Ao detalhar o que considera uma crise de credibilidade no Judiciário, o pré-candidato sugeriu que há magistrados envolvidos em escândalos financeiros que deveriam ser afastados dos cargos, citando nominalmente o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.

  • "Nós temos de lembrar que temos diversas frutas podres ali, que já deveriam ter sido expelidas, gente que se envolveu até o pescoço com o Banco Master, o banco do banqueiro bandido Daniel Vorcaro. Essas pessoas é que deveriam estar fora."

Defesa de reforma no ordenamento jurídico

Para o ex-governador, a centralização de decisões de execução penal e análise de condutas cotidianas de presos na Suprema Corte sobrecarrega a estrutura e desvia o foco das grandes teses constitucionais. Ele utilizou uma analogia do setor corporativo para explicar a situação:

  • "Ministro do Supremo, em qualquer país sério, julga questões constitucionais. Aqui no Brasil, o Ministro do Supremo está perdendo tempo avaliando carta que alguém que está detido envia ou não envia. Isso, para mim, é coisa para juiz de primeira instância, para desembargador, e não para Supremo Tribunal Federal. Você já pensou o presidente de uma grande empresa estar avaliando questões de detalhezinhos que o office boy ou o vendedor está fazendo? É uma disfuncionalidade do Brasil e uma perseguição política. Duas coisas que precisam mudar e que uma leva à outra.", concluiu Zema.

Entenda o contexto da suspensão

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, expedida na segunda-feira (13), considerou que a leitura pública da carta de Jair Bolsonaro por seu filho Flávio configurou um "desvio de finalidade" das visitas íntimas e familiares.

O magistrado apontou que a transmissão ao vivo violou a medida cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais diretamente ou por meio de intermediários. Moraes também estabeleceu um prazo de 48 horas para que a defesa de Bolsonaro esclareça se ele autorizou ou sabia da divulgação da carta e encaminhou o caso ao Ministério Público Eleitoral para apurar suposta propaganda antecipada.