Servidor público quebrou o aparelho celular ao meio para tentar esconder crime, mas nome apareceu no extrato da conta

Redação Publicado em 23/06/2026, às 13h14
O funcionário público Daniel Nathan Ribeiro Andrade, de 36 anos, que trabalhava como atendente de necrotério, confessou ter feito uma transferência via Pix no valor de R$ 7 mil para a sua própria conta bancária usando o telefone de um trabalhador que havia acabado de morrer. O caso bizarro aconteceu dentro do Instituto Médico-Legal (IML) de Santos, e o servidor alegou que cometeu o crime porque estava passando por problemas financeiros em casa. Apesar do susto e da gravidade da situação, ele conseguiu o direito de responder ao processo em liberdade.
A decisão de soltar o funcionário foi tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O desembargador Camargo Aranha Filho entendeu que, como o crime não envolveu violência ou ameaça contra nenhuma pessoa e o acusado tem a ficha limpa na polícia, ele não precisa ficar trancado na cadeia enquanto o julgamento não termina. O advogado de defesa, Áureo Tupinambá, também reforçou que o cliente cooperou com as investigações desde o início, confessou tudo o que fez e já avisou que quer devolver cada centavo do dinheiro roubado.
Como a farsa foi descoberta pela viúva
O caso que deu origem à investigação começou de forma trágica no dia 15 de maio. Um operador de máquinas de 36 anos morreu após bater sua moto contra um poste na Ponta da Praia, e seu corpo foi levado para o necrotério durante a madrugada. O atendente, que estava sozinho no plantão de atendimento, percebeu que o celular do falecido estava totalmente desbloqueado e sem nenhuma senha no aplicativo do banco, facilitando o desvio do dinheiro às 6h49 da manhã.
Mais tarde, quando a família foi até o IML retirar os pertences do trabalhador, recebeu o aparelho celular quebrado ao meio. Os parentes achavam que o estrago tinha sido causado pelo acidente de trânsito, mas a verdade apareceu nove dias depois. Ao ir até o banco para fechar a conta do marido falecido, a viúva puxou o extrato e tomou um susto ao ver a transferência de R$ 7 mil feita direto para o nome do funcionário do necrotério. A polícia suspeita que o próprio atendente quebrou o aparelho de propósito para tentar esconder os rastros do roubo.
Regras para o réu e cobrança na Justiça
Mesmo solto, o funcionário público, que tinha oito anos de carreira no IML, virou réu pelo crime de peculato-furto e terá que seguir algumas ordens bem rígidas da Justiça para não voltar para a prisão:
O Ministério Público avisou que não vai dar nenhuma moleza ou fechar acordos mais leves com o réu, pois ele usou o seu cargo de confiança para mexer no corpo e nos bens de uma pessoa morta. Agora, a Promotoria de Justiça exige que ele devolva os R$ 7 mil pegos no Pix, pague pelo valor do celular que foi destruído e ainda desembolse uma indenização de R$ 2 mil por danos morais para a família do trabalhador, que deixou três filhos pequenos.

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