Idoso de 70 anos é investigado por aplicar fraudes financeiras e dar golpes em mulheres através de aplicativos de relacionamento

Lívia Gennari Publicado em 28/09/2025, às 15h04
O aposentado César Mattar, de 70 anos, conhecido como “golpista do amor”, foi solto pela Justiça após ter a prisão preventiva revogada e agora está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica em Santos. Ele havia sido detido em 15 de setembro, dentro de casa, suspeito de adulterar uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para financiar um carro de luxo.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), na casa do investigado foram encontrados um documento adulterado em nome de outra pessoa e um boleto do financiamento do carro. O órgão também alegou que o idoso estava se ocultando da Justiça para seguir cometendo crimes e “fazendo vítimas em série”. Diante disso, foi solicitada a prisão preventiva.
A juíza Michelle Camini Mickelberg, da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo, no entanto, entendeu que Mattar não demonstrava intenção de fuga, já que foi localizado com facilidade. Na decisão, também levou em conta a idade avançada do réu, os problemas de saúde relatados pela defesa e o fato de os delitos não envolverem violência física.
Por isso, a magistrada substituiu a prisão pelas seguintes medidas cautelares: uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento bimestral em juízo, comunicação de qualquer mudança de endereço ou emprego e presença obrigatória em convocações da Justiça, do MPF ou da Polícia Civil.
O advogado de defesa, Octavio Rolim, afirmou que seu cliente permanecerá à disposição do processo para comprovar a inocência.
Histórico de golpes
As investigações apontam que a trajetória de Mattar no estelionato começou em 1978, quando tinha 26 anos. Desde então, ele acumula mais de 47 anos de ficha criminal, entre acusações, condenações e fugas do sistema prisional, três ao todo, sendo a última em 2012. Quatro anos depois, acabou recapturado em Santos, durante uma operação que encontrou documentos falsos, cartões bancários e carnês fraudulentos.
De acordo com a Polícia Civil, ao longo das últimas décadas, o idoso direcionou suas fraudes principalmente a mulheres, explorando a confiança conquistada em relacionamentos amorosos e negócios fictícios.
Além da fraude envolvendo o veículo, Mattar é acusado de aplicar golpes emocionais e financeiros através de aplicativos de relacionamento. Em um dos casos registrados, ele teria enganado uma vítima dizendo que era dono de 27 franquias e havia retornado da Europa após descobrir dívidas deixadas pelos filhos. A mulher sofreu um prejuízo superior a R$ 350 mil.
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