Polícia Civil investiga se a criança já sofria um histórico de violência física antes das agressões fatais

Redação Publicado em 10/07/2026, às 08h46
Um crime de extrema violência chocou os moradores de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Um homem de 33 anos, de nacionalidade norte-americana e que atuava como religioso, foi preso preventivamente após confessar ter espancado até a morte o próprio filho, um menino de apenas 3 anos de idade. Em depoimento à Polícia Civil, o agressor revelou que a motivação para a violência foi o fato de a criança não ter lhe desejado "bom dia".
O crime aconteceu no último domingo (5), na residência da família, localizada na área rural do distrito de Águas Claras. A mãe da criança também foi presa, acusada de omissão diante das graves agressões sofridas pelo filho dentro de casa.
Perfil radical e comportamento com os vizinhos
O suspeito morava no Brasil há cerca de nove anos e havia se mudado com a família para Viamão há aproximadamente seis meses. Nas redes sociais, ele se apresentava como cantor religioso e publicava conteúdos ligados a orações e mensagens de teor espiritualista. No entanto, o comportamento do homem no dia a dia já despertava a estranheza dos vizinhos.
De acordo com relatos colhidos pelas autoridades com moradores locais, o acusado demonstrava posicionamentos radicais e rígidos sobre a dinâmica familiar. Ele defendia publicamente uma visão extremista de submissão, afirmando que a figura masculina representava a liderança absoluta e que tanto a esposa quanto os filhos deveriam obedecer cegamente às suas ordens.
Criança foi arremessada contra o chão
A dinâmica do crime, detalhada pelo próprio investigado à polícia, revelou a crueldade do ataque. O homem desferiu múltiplos golpes violentos contra a região torácica e abdominal do menino de 3 anos e, em seguida, golpeou a cabeça da criança contra o chão. Ao perceber o estado crítico do filho, o homem levou a vítima até um hospital municipal de Viamão no domingo.
Ao darem entrada no pronto-socorro, os profissionais de saúde constataram de imediato que as lesões generalizadas no corpo do menino eram incompatíveis com uma queda ou acidente doméstico. Diante da forte suspeita de agressão, o 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM) foi acionado e prendeu o pai em flagrante na unidade de saúde. Devido à extrema gravidade do quadro clínico, a criança foi transferida com urgência para um hospital de alta complexidade em Porto Alegre.
Prisão preventiva e investigação de histórico de abusos
Apesar dos esforços médicos na capital gaúcha, os ferimentos graves evoluíram para a morte encefálica do garoto poucas horas após a internação. Na segunda-feira (6), o suspeito passou por audiência de custódia, onde o Poder Judiciário acolheu o pedido do Ministério Público e converteu a prisão em flagrante em preventiva, com o objetivo de garantir a ordem pública.
O inquérito da Polícia Civil segue em andamento para apurar a conduta da mãe da vítima e detalhar o nível de conivência dela com o crime. Os investigadores realizam perícias e colhem novos depoimentos para determinar se o menino já vinha sofrendo violência física de forma sistemática em ocasiões anteriores. O casal permanece isolado no sistema prisional do Rio Grande do Sul à disposição da Justiça.
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