Investigação revela que quadrilha utilizava empresas e laranjas para ocultar a origem ilícita de grandes fortunas

Redação Publicado em 22/01/2026, às 08h40
Um esquema milionário de lavagem de dinheiro, que movimentou mais de R$ 39 milhões usando moedas virtuais e transporte de dinheiro vivo, foi o alvo principal da Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (21). A ação, batizada de Operação Narco Azimut, mobilizou agentes logo nas primeiras horas do dia para cumprir uma série de ordens judiciais. O objetivo central é desarticular um grupo criminoso especializado em esconder a origem ilícita de grandes fortunas, atuando tanto dentro do Brasil quanto em transações internacionais.
A operação desta quarta-feira não ficou restrita a apenas um local. Os agentes federais foram às ruas para cumprir sete mandados de busca e apreensão, além de ordens de prisão temporária. As equipes se dividiram para bater em endereços localizados em Santos, no litoral paulista, e em cidades do interior como Ferraz de Vasconcelos, São Bernardo do Campo e São José dos Campos. A investigação também cruzou as fronteiras estaduais, chegando a Goiânia (GO) e à turística Armação de Búzios (RJ).
Rota do dinheiro sujo
Segundo o que foi apurado pela PF, a quadrilha funcionava como uma "máquina de limpar dinheiro". As investigações mostraram que o grupo criou um sistema complexo e bem organizado para despistar as autoridades. Eles utilizavam empresas e contavam com o apoio de diversos "laranjas" para realizar operações bancárias de alto valor e transferências de criptoativos (as moedas digitais, como o Bitcoin).
Além do mundo digital, o grupo também operava no método antigo: o transporte físico de dinheiro. Grandes quantias em espécie viajavam entre estados para dificultar o rastreio bancário. Tudo isso servia para dar uma aparência legal ao dinheiro que vinha de atividades criminosas anteriores.
Herança da Narco Bet
Essa operação não nasceu do nada. Ela é, na verdade, um segundo capítulo de uma investigação maior. A Narco Azimut é um desdobramento direto da "Operação Narco Bet". Ao analisarem os dados daquela primeira ação, os investigadores perceberam que o buraco era mais embaixo: havia um núcleo financeiro dedicado exclusivamente a movimentar e ocultar os lucros do crime.
Por conta da gravidade e dos valores envolvidos, a Justiça Federal em Santos foi dura nas medidas. Além das prisões, foi determinado o sequestro de bens dos envolvidos. Isso significa que imóveis, carros e contas bancárias foram bloqueados para garantir que eles não vendam nada. Também foram impostas restrições às empresas ligadas ao grupo, proibindo qualquer movimentação financeira ou venda de patrimônio.
Até o momento, a PF confirmou que os mandados de prisão foram cumpridos com sucesso. Durante as buscas nas casas e escritórios, os policiais apreenderam diversos veículos, uma quantidade de dinheiro em espécie que ainda está sendo contada, além de computadores e documentos que vão ajudar a aprofundar as investigações. Se condenados, os suspeitos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas (enviar dinheiro para o exterior ilegalmente).
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