Santos

Trabalhador morre e dois passam mal em caixa d’água subterrânea de obra na Vila Mathias, em Santos

Operário de 27 anos morre em caixa d’água subterrânea na Vila Mathias e dois colegas passam mal durante resgate em obra de Santos

Foto: José Claudio Pimentel/
Foto: José Claudio Pimentel/

Redação Publicado em 02/09/2026, às 07h59


Um operário de 27 anos morreu na manhã de terça-feira (1º) após sofrer um mal-estar súbito enquanto realizava serviços no interior de uma caixa d’água subterrânea em um canteiro de obras na Rua Silva Jardim, no bairro Vila Mathias, em Santos. O acidente mobilizou equipes de emergência e deixou outros dois trabalhadores intoxicados durante a tentativa desesperada de socorro ao colega de trabalho.

A vítima fatal foi identificada como Bruno Reis dos Santos. De acordo com os relatos registrados no boletim de ocorrência, o jovem entrou no reservatório e perdeu os sentidos quase instantaneamente. Ao perceberem o desmaio, outros dois funcionários desceram ao compartimento na tentativa de resgatá-lo, mas também inalaram substâncias tóxicas, sentiram tontura e passaram mal no local. Os três homens foram retirados da estrutura subterrânea por outros colegas da construção civil que estavam na superfície. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) compareceram ao endereço, mas constataram o óbito de Bruno no local. Os outros dois sobreviventes foram levados às pressas para a Santa Casa de Santos e para a UPA Central, onde permaneceram em observação clínica.

Contradições em depoimentos e apuração policial

O caso foi encaminhado ao 3º Distrito Policial de Santos e registrado sob as tipificações de morte suspeita e morte acidental, com a construtora responsável pela obra figurando como investigada no inquérito. A Polícia Científica realizou perícia de campo para verificar a concentração de gases asfixiantes na caixa d’água, que se encontrava previamente lacrada, enquanto o corpo de Bruno seguiu para exames necroscópicos no Instituto Médico-Legal (IML).

As declarações colhidas pelas autoridades policiais apontam versões conflitantes sobre a dinâmica do trabalho. O mestre de obras alegou que o acesso à estrutura ocorreu de forma indevida, antes da chegada do técnico de segurança responsável por emitir as autorizações de entrada em espaço confinado. Em contrapartida, um dos trabalhadores resgatados relatou ter recebido ordens diretas para realizar a higienização do reservatório, sem que lhe fossem fornecidos máscaras, equipamentos de proteção respiratória ou treinamentos técnicos. O documento policial apontou ainda que dois dos envolvidos haviam começado as atividades naquele mesmo dia, antes mesmo da formalização do contrato de trabalho. Em nota oficial, a construtora declarou que lamenta o ocorrido, que presta assistência às famílias e colabora com os órgãos policiais.