A coordenadora dos cemitérios de Santos, Elen Miranda, lidera a iniciativa que reconhece a importância de Pagu para a cidade.

Otávio Alonso Publicado em 08/03/2026, às 04h43
Os restos mortais da jornalista Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, serão transferidos para um novo túmulo no Cemitério da Filosofia em Santos, no Dia Internacional da Mulher, visando aumentar a visibilidade da escritora e facilitar a visitação ao local.
Os restos mortais da jornalista, escritora e militante Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, serão transferidos neste domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, para um novo túmulo de solo no Cemitério da Filosofia, em Santos, no litoral de São Paulo. A mudança será realizada pela Prefeitura de Santos para ampliar a visibilidade da escritora modernista e facilitar a visitação ao local onde ela está sepultada.
Pagu morreu em 1962, aos 52 anos, vítima de câncer. Na época, ela foi velada na casa onde morava, no Canal 3, e sepultada em uma campa de gaveta no Cemitério da Filosofia, localizado na Praça Ruy de Lugo Viña, no bairro Saboó.
Agora, os restos mortais da jornalista serão levados para um túmulo de mármore construído próximo à entrada do cemitério. O novo espaço terá fotografias da escritora e um QR code que direcionará visitantes para um site com informações sobre a trajetória de Pagu.
Entre os elementos previstos para o local está uma placa de acrílico com uma frase conhecida da jornalista. A citação escolhida é “Sonhe, tenha até pesadelo se necessário for, mas sonhe”.
A iniciativa para a mudança da campa partiu da coordenadora dos cemitérios de Santos, Elen Miranda. Segundo ela, a ideia surgiu após descobrir o local onde Pagu estava sepultada pouco tempo depois de assumir a função, em 2025.
A proposta contou com apoio do secretário de Prefeituras Regionais de Santos, Rivaldo Santos. A coordenadora afirmou que a transferência representa uma forma de reconhecimento pela importância da escritora para a cidade e para o país.
A cerimônia de translado está marcada para as 14h30 deste domingo e será aberta ao público. Familiares de Pagu, autoridades municipais e representantes do Centro de Estudos Pagu da Universidade Santa Cecília estarão presentes.
O novo túmulo também receberá os restos mortais do jornalista Geraldo Ferraz, segundo marido de Pagu. Ele foi sepultado na mesma campa da escritora em 1979 e também será transferido para o novo espaço no cemitério.
Um ano após a morte da jornalista, a Câmara Municipal de Santos concedeu à família a honraria de perpetuação da campa. O direito será mantido no novo túmulo e permite que outros familiares também possam ser sepultados no local.
Patrícia Galvão nasceu em 9 de junho de 1910, em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Figura importante do modernismo brasileiro e do movimento antropofágico, ela se destacou pela atuação cultural e pela crítica social presente em suas obras e colunas.
Militante política e defensora de direitos sociais, Pagu chegou a ser presa mais de 20 vezes por motivos políticos ao longo da vida.
Em 1946, ela se mudou definitivamente para Santos, cidade que já frequentava desde a juventude. No litoral, colaborou com o jornal A Tribuna e participou do movimento pela criação do Teatro Municipal de Santos, que atualmente leva o nome de Teatro Municipal Braz Cubas – Centro de Cultura Patrícia Galvão.
Segundo a Prefeitura de Santos, a trajetória da escritora permanece como referência de resistência cultural, pensamento crítico e luta por transformações sociais.
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