FIA investiga se equipe alemã utiliza sistema duplo para ganhar equilíbrio aerodinâmico em curvas

Gabriella Souza Publicado em 26/03/2026, às 12h58
A Mercedes, atual líder da temporada 2026 da Fórmula 1, volta a estar sob a lupa da FIA. Após a polêmica recente sobre a taxa de compressão do motor, a equipe de Toto Wolff agora é alvo de uma inspeção referente ao funcionamento da sua asa dianteira ativa. A suspeita, levantada por equipes rivais e amplificada por análises de telemetria, é de que o sistema de fechamento do componente esteja operando em duas fases distintas para contornar os sensores da federação e garantir uma vantagem aerodinâmica irregular nas entradas de curva.
O cerne da questão envolve o novo conceito de aerodinâmica ativa introduzido este ano, onde os carros alternam entre o "modo reta" e o "modo curva". Segundo as regras, essa transição deve ocorrer em, no máximo, 0s4.
No entanto, vídeos e análises técnicas sugerem que a Mercedes estaria completando o movimento em 0s85. A estratégia consistiria em fechar a asa parcialmente dentro do prazo para satisfazer os sensores e, em seguida, completar o movimento de forma mais lenta. Isso reduz a transferência brusca de carga para a frente do carro durante a frenagem, melhorando significativamente o equilíbrio do monoposto.
Caso do motor e da asa
Diferente do caso do motor, onde a equipe explorou uma "área cinzenta" do regulamento relacionada à temperatura de medição, a questão da asa é vista como uma possível infração direta ao texto técnico. Naquela ocasião, a FIA permitiu que a Mercedes operasse com sua unidade de potência original até o dia 1º de junho.
No entanto, para o caso da asa dianteira, o tempo de transição é um valor fixo e absoluto. Se a irregularidade for confirmada durante as inspeções no GP do Japão, a Mercedes será obrigada a redesenhar o sistema imediatamente.
A expectativa é que a entidade que rege o esporte a motor faça checagens adicionais nos carros de Lewis Hamilton e Kimi Antonelli durante os treinos livres deste fim de semana. Caso a Mercedes seja reprovada nos testes estáticos e dinâmicos em Suzuka, o time poderá enfrentar desde a obrigação de troca das peças até sanções mais severas se ficar comprovada a intenção de ludibriar a fiscalização.
O clima nos boxes é de tensão, especialmente porque a denúncia partiu de uma equipe concorrente que ainda não teve o nome revelado.
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