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Conselho do Santos segue votação para mudança do estatuto sob protestos da torcida

Votação terminou de forma antecipada e terá nova sessão no dia 28 por motivos de “cansaço”

Manifestantes protestaram contra o presidente e conselheiros - Foto: José Edgar de Matos
Manifestantes protestaram contra o presidente e conselheiros - Foto: José Edgar de Matos

Gabriella Souza Publicado em 22/05/2026, às 10h55


Torcedores das principais organizadas do Santos voltaram a protestar na noite desta quinta-feira (21), na Va Belmiro, marcando o segundo dia de reuniões do Conselho Deliberativo (CD) para a votação das emendas do novo estatuto do clube. O movimento repetiu o clima tenso registrado na última segunda-feira, com  gritos contra alguns conselheiros e direcionando críticas à gestão do presidente Marcelo Teixeira.

Protestos e polêmicas 

O principal ponto para a revolta dos torcedores e de grupos opositores foi uma emenda específica que mexe diretamente nos critérios de elegibilidade para o cargo máximo do clube. O texto apreciado prevê que, para obter o direito de se candidatar à presidência do Santos, o interessado deve comprovar o cumprimento de dois mandatos prévios dentro do Conselho Deliberativo. Originalmente, o projeto da comissão estipulava três mandatos.

Atualmente, o regimento exige apenas dez anos de associação ininterrupta para a postulação ao poder Executivo. Munidos de faixas na beira do gramado, os manifestantes questionaram a legitimidade das alterações na regra eleitoral.

 “A quem interessa dificultar candidaturas?”, estampava uma das principais faixas estendidas pelos torcedores nas arquibancadas da Vila Belmiro.

Definições no Conselho 

Em paralelo aos protestos, o órgão avançou na pauta e aprovou a manutenção do período de três anos de associação para que um sócio tenha o direito de votar nas eleições presidenciais do Alvinegro. Em nota oficial emitida pela mesa diretora, o Conselho Deliberativo detalhou as alterações e recuos costurados pela Comissão do Estatuto após as ponderações de bastidores.

  • "Também foi retirada a proposta que previa o aumento do tempo mínimo necessário para que um associado pudesse se tornar conselheiro. Assim, permanece o prazo atual de cinco anos de associação. Outro ponto debatido foi a possibilidade de exigência de mandatos prévios no Conselho Deliberativo para candidatura à presidência do clube. A proposta inicial, que estabelecia a necessidade de três mandatos, foi retirada. A que será votada é a de dois", informou o comunicado do CD.

No mesmo documento, a presidência do órgão se posicionou de forma firme contra os atritos e episódios de hostilidade registrados no início da semana.

  • "Por fim, o Conselho repudia qualquer ato de violência, intimidação ou agressão ocorrido durante as discussões da última segunda-feira. Reconhece a legitimidade das manifestações e do debate, desde que aconteçam com respeito, civilidade e responsabilidade", completou o texto da nota.

Balanço da SAF e os próximos passos

Na primeira etapa das reuniões, ocorrida na segunda-feira (18), o tema central foi a aprovação do capítulo da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O Conselho Deliberativo ratificou a ampliação do limite da participação societária para investidores no novo texto. No modelo anterior, a venda do futebol santista era limitada a no máximo 49%. Com o novo regimento, o percentual de comercialização de ativos e patrimônio pode atingir até 80%, assegurando 20% das ações sob controle do clube associativo. A adequação jurídica contou com o suporte do advogado Rodrigo Monteiro de Castro, um dos coautores da Lei da SAF no país.

Devido à complexidade e ao volume de artigos e emendas pendentes, a votação não foi concluída e será retomada na próxima quinta-feira, dia 28 de maio, já na reta final dos encontros. O cronograma precisará saltar o início da próxima semana porque a Vila Belmiro será entregue de forma exclusiva à Conmebol na segunda-feira (25). Na terça-feira (26), o Santos recebe o Deportivo Cuenca, às 21h30, valendo a rodada final da fase de grupos da Copa Sul-Americana.

Ao término de todo o processo no Conselho, o texto reformulado será submetido à Assembleia Geral de Sócios. Os associados deverão votar as mudanças em bloco (sim ou não para o projeto completo), um formato de votação que também vem sendo amplamente criticado pela torcida e pela ala opositora da gestão.